domingo, 28 de agosto de 2011

molly e o grifo

Uma construção simétrica, concebida em verdades, igual qualquer simetria. Pretendida eternizar um ideal. Algo que só existe no coração, se manifesta pela intuição, mas é intraduzível.

O sol da primavera invadia os recintos obliquamente. No átrio central homens e mulheres comiam, bebiam, falavam, e se fartavam à luz amarelada e intensamente brilhante. Aquele centro de uma antiga idéia agora se tornara vestígio erguido à pedras, argilas e outras matérias.

Molly os servia, e se sentia mal por isto.

Quando em seu coração pressentiu uma intensa emoção, e tomou-lhe o lugar uma visão à noroeste. Um fabuloso Leão Vermelho respirou sem ruído algum, como rugisse mudo. Mesmo com a crueldade daquele olhar, entendeu o recado: "Cale-se, esconda-se, e eu poupo-lhe a vida".

Com o corpo hirto de pavor cambaleou até um cômodo escuro, atrás de si.

Um monstruoso barulho veio lhe preencher os ouvidos, e tomar conta do ambiente. sinfonia de ossos se partindo, gritos humanos, móveis despedaçando-se. Aquele medo em Molly foi se transformando em música que a remetia aos sons naturais, como cachoeiras e canto de pássaros, uma música imprevisível, um jazz.

Os gemidos ainda estavam sendo emitidos quando ela saiu, sentindo a ausência da fera. Tudo ia se tornando silêncio.

No chão muito sangue, em poças, em pedaços de mesa, em pedaços de gente. Só foi devorado das vítimas os olhos e os corações. Abaixou-se e com os dedos cruzados numa das poças provou do sangue fresco. Ouviu uma voz:

"Ouça menina, vá embora, sua vida se renova nesta hora, não existem mais ninguém que lhe possa escravizar, eu trouxe-lhe a salvação. Seu batismo foi de SANGUE"

Assim proverbiou a Águia Dourada, e seu olhar era como se pudesse devorá-la, mais já estava saciada.

A simetria se reconstituiu no tempo, enquanto o espaço se constituiu num templo.

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o cavalo

O cavalo e seu cavaleiro conversam, que não haja dúvida sobre isto.

Qualquer um que por ausência de palavras demonstre algo, e compreendido o possa dizer.
E mais..

O cavalo tem o perfil de seu dono, é fiel à ele, um gesto entendido pode significar a vida salva.

Quando é de batalha, podemos ver um único ser, no meio do sangue e das mortes é uma só alma.

Os antigos maias acreditavam que se tratavam de Centauros, àquela figura mitológica meio homem meio cavalo, quando viram espanhóis em suas montarias... Uma só alma, em um só corpo dividido.

Os sentimentos são compartilhados, se o animal se fere, que o cavaleiro sinta, que a sua espada defenda a extensão do corpo seu.

Num ferimento o animal sente, mas não pode sair do controle, pode dar um pulo, um "tranco", emperrar como uma motocicleta, a motorcicle, or a Iron Horse. E cabe ao cavaleiro mantê-lo vivo, pulsante.

Domar animais selvagens, sem fugir da sua própria selvageria é o princípio dos oito segundos de uma competição de montaria, de um peão de boiadeiro. Um extremo ferimento do cavalo, reagindo à todo custo contra sua submissão. Quer continuar livre.

O peão age com o braço e com o coração, um Royal S. Flash, com copas e Reis, Rainhas e et coetera...

Os cavaleiros, em conjunto são quadras, como os quatro do apocalipse, um de cada naipe: Fome que um dia fora Ouro, Peste que fora Amor, a Guerra, quando laços eram paus, eram ramificações de um mesmo ideal, e transformou-se na clareza e objetividade da Espada, que invertida pode ser vista como a Cruz. Um lado de Morte, e um lado de Vida.

Somos selvagens por natureza, no xadrez um cavalo é a segunda mais versátil das peças, mas realiza um movimento inimitável, não pode ser perseguido por apenas outra peça, e sim cercado. Um movimento imprevisível. Talvez por isso aprendamos a dominar nossos instintos, em um aprendizado que pode descambar para a indiferença, ou pior ao atavismo.

Como quando o cercamos para capturá-lo, selvagem como nós um dia fomos.

Igual como quando nos percebemos furiosos, e tememos fugir ao nosso próprio controle.

Uma selvageria que se conquistada se transforma numa linda fidelidade.

Se submetida tranforma-se em burrice.


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realidade

Um homem fala ao telefone:
- Estou pisando em ovos
Uma mulher o vê pisando em piso sintético barato.
Uma criança imagina se formigas põem ovos.

A realidade é a base de qualquer coisa, é o chão que se pisa.


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fábula

Você está vendo a luz?
São os olhos de Manhana Régia. Você e eu estamos neles.
Um raio de luz que não que ser nunca absorvido.
A floresta à nossa frente, flores, borboletas, pássaros, e uma voz: "Estou louco por você".
É apenas uma voz na floresta, de onde vem isso?
Estou falando sozinha, tem mais alguém aí?
Estou falando sozinho? Tem mais alguém aí?
"Um pouco eu, e você".
Voz toma mais intensidade, e se nota um descontrole...
"Vamos, ande, venha brincar, o lugar está muito, muito sozinho". Vós começais a não entender? Mã, estais perdida em excentricidade?
Minha alma sã num porvir de felicidade.
"Venha, cante, vamos queimar, estou louco e perto, bem pertinho". Da manhã, vê um Dragão quando já está em uma clareira na mata. Rainha, pagã, uma ilusão diante o fogo que sai em labareda da entranha da morte.
"Está perdida?" diz a voz.
"Estais perdidas? Dize vós".
Manhana olha ao lado, um príncipe ao lado.
Um dragão cravejado na armadura.
E uma candura na voz assustadora.
Não era assim.
Apenas o fim amado.
Nunca houve alguém lá...
Dize vós: Houve alguém lá?

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fábula (dois)

Uma mulher, chamada Manhana Régia, dentro de uma selva, se assusta e sai correndo assustada de dentro da selva, fica branca ao ver um dragão que cospe fogo. Paralisada frente ao dragão alguém lhe toca a cintura, olha ao lado um homem, se tranquiliza. olha à frente, e o dragão já não existe mais, só o homem ao seu lado. Um sonho de fadas se realiza e uma estrela nasce.

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Puzzle

Menina linda, mesmo com seus cabelos raspados entra em um bar. Homens insinuam sobre suas nudezas, e as dela. Até aí nada a se reagir. Estava, Puzzle, resiguinada a ficar só. Um brutamontes agarra a menina Puzzle: Abraça-a contra a vontade.
BAM
O homem cai de costas. "Já ouviu falar em Quebra-Cabeças?" Diz a linda Puzzle, com uma manchinha de sangue em sua testa, linpando-a calmente com um lenço.

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cry wolf

"Queria me expressar sobre este terrível costume dos paulistanos de aplaudir de pé qualquer porcaria"
Era essa a idéia que ouvi numa palestra sobre teatro...

"Cry wolf" é uma situação:

Um menino gritava de um estábulo, dizia estar sendo atacado por um lobo. Vieram acudi-lo e era mentira queria apenas chamar a atenção.

Um dia realmente um lobo apareceu, o menino gritou, gritou, mas ninguém veio em sua ajuda, foi devorado pelo lobo.

"Cry wolf" é o nome desta situação.

Um dia estava no cinema assistindo Mulan/Disney, e em determinadas cenas aplausos bem suaves eram ouvidos. Eu pensava qual a razão destes aplausos? Se no cinema é uma fita que roda? Simples ter começado a aplaudir junto: Existem funcionários no cinema que o mantém limpo, vendem pipoca, recebem os bilhetes ou fazem a fita girar.

Aplausos.

É simples como o tom de voz. A velocidade das palmas, a intensidade das palmas, o ritmo, podem transmitir sentimentos...

Um dia aplaudi uma peça sem me levantar, ninguém se levantou, como apludissemos Mulan, simples e baixinho como se sussurassemos o quanto havíamos gostado.

Outra vez um show em homenagem à Vinícius de Morais, as palmas acompanhavam a canção, aplauso de pé e no ritmo.

Podemos aplaudir em número específico de vezes: Esta peça merece sete palmas, esta merece três, esta merece uma bem forte como um soco, etc...

Também pode-se usar outras formas: bater na mesa, estalar os dedos, assoviar, gritar, urrar, vaiar, etc...

Uma vez vi uma peça, fiquei louco, ou já estava predisposto, levantei aplaudi e quase caí, se fosse mulher desmaiava, saí cambaleando, a peça nem deveria ser tão boa, mas eu gostei.

Se alguém acha necessário aplausos em pé que fique de pé, mas não precisa ser seguido por toda a platéia...

Se for para entrar numa peça já sabendo que no final vou aplaudir de pé mesmo sem entender, ou sentir 'lhufas'. Talvez seja razoavel o aparecimento das claques estampadas: PALMAS.

Por que aplaudir de pé não é nem para todos os espectadores muito menos para toda a obra.

De pé, frente ao final de qualquer coisa é "Cry wolf", um dia alguém verá a peça de sua vida e para demonstrar talvez só trazendo abaixo o teatro. Destruição total. Ninguém tem mais discernimento.

Então vou rir de qualquer bobeira só para variar, ou me sentir normal.

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vande-se

Final da Avenida Paulista: "Viche, 25 metros de mulher..."

A foto começa nas ancas, mas se abstrairmos a proporção, tem-se a mulher em pé como se tivesse 40 m. Ela ainda se dá ao luxo de levantar as mãos... ...para fora do espelho, para baixo seus pés no chão.

Em seu plano horizontal, como um espelho de guarda-roupas iluminado eu me sentiria o próprio Godzilla!

Imagine: a Avenida, a passarela, e as paulistas desfilando nela.

Igual àquele clip de um grupo de rock: LovesStrong, só que era NY.

Aqui, Brasil, sem dinheiro, só se pode imaginar...

Nhem, nhem, nhem.

Mulheres de 40 m com uma coleira escrito Godzilla.

Qual a relação entre os Rolling Stones e a Fórum?


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segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Canudos

(o rei)
um rei roto, oprimido
um rei que não será vencido
um rei de palavras tão fortes
pois deus era outra pessoa
faria cicatrizar cortes
palavra nos ares ressoa

(as capelas)
nas capelas a gente rezava
por deus um sino badalava
sabíamos que existia o céu
e o reino daqueles demônios
que venha então o corcel
o espírito santo dos sonhos

antônio conselheiro fora um rei
antônio conselheiro fora um rei
um rei de palavras tão fortes
conduzira-nos pelo sertão

(a vila)
a vila era de paz
de trabalho era capaz
tudo sempre fora para nós
mesmo na escassez do agreste
nunca estiveramos sós
nem na felicidade ou na peste

(o clero)
o clero posuia pavor
por um novo salvador
que poderia não ser mais aquele
que pregado na cruz levaria
todos nossos pecados com ele
condenado por herodes um dia

(o governo)
palavras, nosso destino
um rei ou um deus-menino
um homem tão sábio, tão cabra
não temia pelo governo
e sua sentença macabra
de trazer ao sertão o inferno

(as tropas)
vieram tropas do sul
vieram vestidas de azul
vieram trazendo rajadas
de fogaréis e ventos trovões
mas, pelas montanhas tragadas
sangravam pelos sertões

(os nossos)
vieram tropas do sul
vieram vestidas de azul
valíamos cada para cem
não havia homem que vivo
pudesse ir mais além
que cada um de nós mais ativo

(os jagunços)
vieram jagunços armados
bandidos muito bem pagos
a mando de algum coroné
trouxeram dinamite para a guerra
só eles eram pário para fé
devastaram tod'essa terra

(o frio)
com o sangue viera o frio
com a morte viera o frio
poucas mulheres e crianças
jogados em sujos vagões
mas, como é grande a esperança
soará nos céus dos sertões

(epílogo)
meu bom jesus conselheiro
e que por ser tão sublime
não sabíamos o porquê
de ser aquilo algum crime
por vir somente de vos-mecê
por vir somente de vos-mecê

meu bom jesus conselheiro
e que por ser tão sublime
não sabíamos o porquê
de ser aquilo algum crime
por vir somente de vos-mecê
por vir somente de vos-mecê

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hey, sr. fanta (dois)

ele bate porque é burro?
ou é burro porque bate?
qual o segredo da bolacha?

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quinta-feira, 18 de agosto de 2011

à melhor pessoa do mundo

conto como se fosse
canto como se estivesse
sozinho
nas asas do vento veio
nas asas do vento veio
um recado
que eu não me estritecesse
por que meu amor está
secreto
ainda não existiu
ainda não está aqui
por perto
ouvindo os passarinhos
na manhã que vai surgindo,
desperto
meu bem não quero mais
meu amor não estar aqui
por perto

oh, beija-flor me traga, por favor
a leveza, a doçura, a beleza
que está nos olhos dela

oh, beija-flor
me chegue bem mansinho
com a lembrança de seu canto
do seu nome, oh, bela

suave como a noite e o luar
como você não existe
nada, ninguém ou lugar
vida, oh, vida linda

mas au sinto o seu carinho
ainda
por instantes, o sol raiou
por instantes, o meu amor
sonhou
e desejo de coração
que eu quero é namorar contigo

enquanto espero
sonho contigo
enquanto canto
sonho contigo
enquanto respiro
o amor amigo sonha
contigo

vida, oh, vida bela
pena que não posso estar com ela

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mar ilha

vou
passear pelo ar
pra encontrar
a ilha do mar
na imensidão
verdazul
dos seu olhos,
oh, marília

vou,
vou voar
na solidão
do coração,
verdeazul
de marília

vou
lhe levar
esta canção
a cor
do seu ser
levando fé
na canção
que permanece
sem cartilha

vou,
vou soar
na amizade
de minha mãe
de minha irmã
de minha filha

vou
lhe cantar
lhe soprar
sempre marília

lá lá na ilha
lá vai iria
lá ai íria

laraiaiá
laiará
laiaiá

vou planar
sou albatroz
com ar veloz
bem entre as asas

por detrás
da imensidão
dos seus olhos
que são duas lindas ilhas

vou,
vou perseguir
o sofreguidão
do coração
verdeazul
de marília

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prisão sem celas

a morte não me diz o que eu te digo,
por favor, não deixe que isto ocorra,
estou vivendo como um mendigo,
minha mente e percepção que morram...

este amor vinculado ao acaso.
depende da sorte pra nascer,
só que alguns segundos atraso,
sandra, já não poderei te ver.

ocorre que o que nos une é algo
estranho e que talvez não pereça,
mas talvez um dia desapareça...

em cretinos percalços deságuo,
e como eu espero algum desenlace,
que nos posicione face a face.

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patrícia

Nenhuma noticia interessante
Nada de legal para escrever
Só a tela luminosa adiante
E nenhuma vontade de esquecer

Nem do tom agressivo, lancinante
Nem da solidão que eu ia lhe dizer
Nem do esquecimento itinerante
Que sempre me fazia esquecer

Vaso ruim não quebra, inda mais diamante,
O tapa tem que muito mais que forte ser
Mais se a marreta for um pouco semelhante

Estrago algum talvez possa ela fazer
Mas resiste a uma intencão torturante
Sempre será forte bastante para viver


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taís

acho que não esquecerei jamais
estes teus olhos, dois cristais,
qual me trará muita saudade
sempre transbordante bealdade

acho que este ar amalucado
guarda algum brilho dourado
da grande cúpula celeste
ou uma luz que da vida empreste...

...d'alguma luz que empreste...

...algo que vai além dos mortais
algo que nunca terá idade
algo que me deixa abobado

algo nascente como o leste
algo a mais que a felicidade
algo como esse verso adocicado.

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o casamento

eu não quero,
mas eu digo
aceito
sou agora
teu amigo
aceito
---------
mia senhora
traz consigo
ajuda
---------
nessa hora
teu amigo
ajuda
---------
pois aurora
banho digo
arruda
---------
vou tomar
adeus
tomar
adeus
tomara,
meu deus,
tomara

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mel

com aquela inofensiva abelha
usaste a fumaça da centelha
do cigarro de modo a espantá-la
e então fugiu, sem ar, sem fala

voltou num enxame em esquadrilha
pronta para a batalha, ou guerrilha,
a formação desenhou o horizonte:
um suporto fio bem defronte

ao nosso olhar lenta levantou-se
tal qual uma ponte levadiça
fechou? não, mas abriu o desejo meu

nequela constelação, achou-se,
um nome, que tão bem sábio, à vista
vi apenas que luzia: mel

vário pequenos pontos
zumbizares

mel

(e foi o fogo que me disse!)

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fases

fazes por que fazes?
fazes frases?
apenas fases
por quê?

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

pausas

enquanto eu risk risk risk
ela tsc tsc tsc

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1/2 soneto

eu,
uma árvore,
com bem-te-vis
e colibris

ter de mármore a alma
te enxergar a dor
e com muita calma
te beijar, minha flor

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aurora

Aurora
irradia poesia
vam´bora lá p´ra fora

essa brisa fria anuncia
Aurora
irradia alegria
vam´bora lá p´ra fora

essa brisa fria prenuncia
Aurora
irradia fantasia
vam´bora lá p´ra fora

essa brisa fria inicia
Aurora
irradia melhoria
vam´bora lá p´ra fora

essa brisa fria sinaliza outro dia
lá fora

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êxtase

cocaína
anfetamina
heroína
aspirina
cafeína
adrenalina
endorfina

apenas ti,
minha menina,

me alucina
e altera minha

sensibilidade

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fechadura

amor como meu, não acha
se esqueceu?
me corta?
´tô indo agora comprar uma borracha
e vou fechar a porta

Tchau!

arbeit macht frei

cadáver devora cadaver
caráter fingindo caráter
cidade está para cidade

ar

de

liberdade

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arbeit macht frei = o trabalho liberta

asfixia

sem dúvida
é inóspito
o cheiro cinzento

espessa poeira
paira e margeia

esta
mácula
derradeira

este véu rotundo
este céu de chumbo
este odor úmido
este medo fétido

névoa densa podre núvem
névoa podre densa núvem
densa névoa núvem podre
densa núvem podre névoa

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rap soccer

bate muito bem
desta vez
um porém

pimba!
na baliza

mister dob alina dob dob alina

7o

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as pedras

um tijolo de barro
branco

se eu pudesse
eu faria poesia
como são as pedras

quietude
simplicidade
clareza

como são as pedras

se eu pudesse
apenas
se eu pudesse

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sábado, 6 de agosto de 2011

fundamento

não há como apagar
de volta esse limão
doce como o viver
nada de parada
ainda menos retroceder

vai ter de derrubar
vai ter de derrubar
só ter de derrubar

pesado como o chumbo
não há contramão
duro como sorrir
nada de parada
a bola eu quero de volta

vai ter de retornar
vai ter de retornar
vai ter de derrubar

passe que passa
rápido para a penettração
passe que passa
o instante
sentindo a pressão
sentindo que na corrida
terra tem dono não
sentindo que na corrida
tentativa bem-sucedida
completa sua ação

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lobita

eu não sou para sempre
eu sou toda momento
nos vários tormentos
no turbilhão da mente

eu sou loba menina
na teta amamentada
pois sou eu quem ensina
a chacinar manadas

sinto o cheiro de longe
da pólvora espingarda
pouco caso sobre os monges
e prossigo vida largada

a faísca do teu olhar me conteve

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desenho

em um mesmo instante
eu mesmo em um risco

um traço
um passo
um fisco

no ato da ponta de um lápis
a grafite o rastro

a mágica
o rito

malabarismo estrela no chão não
rima

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fernão

da
árvore
voar
passarear
por aí
pelo mar
penas
só por sonhar
sobrevoar

*

mergulhar
agulhar
o mar
pegar
o peixe
mais profundo
do mar
o sabor
o saber
o som
vou passar

*

saborear
e passear eu vou... ...é o que sou eu.
sou voar

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girassóis

procuro o girassol,
só a cura do mal,
só meu último anzol.
peixe-leão-pássaro
engaiolado.

penso tanto em ti
que já não existe mais simultaneidade

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live!!!

entre o Cristo e a cruz
entre eu e você
entre a cruz e a espada
entre você e a minha luz
eu corro
eu choro
eu morro
imploro
outra chance
a revanche
avante avante avante
entre a batalha e a paz
entre o que eu sou e não sou capaz
entre a vida e a morte
entre a sorte e o azar
a matar
arrancar
a calar
arranjar
a revanche
outra chance
avalanche avalanche avalanche
entre o fixo e o astuto
entre o fisco e o salvo-conduto
entre o riso e o luto
a remoer
a coser
a cozer
a remoer

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joker & batman

um sem o outro
não é nada
quando um arma
outro desarma
alma gêmea
de si mesma
singular
Deus e Diabo
loucos
loucura é lar para poucos
para-quedas
queda livre
queda suspensa
anti-tédio
antítese de pressão

isso aí
só isso

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rainha de gelo!

rainha de gelo!
como cantar o amor?
sendo eu
em tanta
fúria?
o ácido corre em minhas
veias.
aleluia! um dia devorei
tuas teias.
rainha de gelo!

e fazê-la sentir,
quando eu em angústia,
teu coração frio e de
metal.
aranha, só teu veneno me foi
letal.
rainha de gelo!
foste a cura.

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sereia (dois)

sereia
areia
rima fácil
solo mágica
eu figura trágica
sem ela
no ela
no way

simplesmente

metal
sou dúctil
útil

mas também me quebro
enferrujo

como aquilo
atrás do vidro
do espelho

o fundo cego

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sereia

sereia
areia
onde teu corpo
serpenteia
és toda espaço
mágica
tragédia
nunca te alcancei
nunca te abracei
nunca me balancei

em teu colo
rainha
pudera seres
minha

algum dia

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morte

santa te fita acalanto magicamente
górgona já olha a carne no cerne esblástico

e ademais
(mágoa e água na boca)
e ademais
medo horror cegueira mito/morte é não provocar
o borbulhar das coisas (águas) o borbulhar,
mesmo seres cheios de nada, vazios
de vácuo fugidio limite ebulição/vida

t____e____m____p____o
não
tempo
e mesmo assim
t____e____m____p____o
mas efemeridade
do momento
VIDA

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monocórdico

teu coração exibe tantas
tortas mágoas
de um passado tão profundo

onde mágoas por vezes
tão erradas
tanto quanto o abraçar de um mundo

exibindo um tiro contra
um muro de um
passado por vezes tão escuro

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terça-feira, 2 de agosto de 2011

CINUSP "Paulo Emílio"

borboleta psicodélica

cada quadro representa também pensamento
cada fato histórico é também um movimento
cada produção artística é também política
cada coisa dita dita uma nova tática

centopéia autoritária

para cada qualquer coisa tem também uma crítica
para cada cara cresce uma nova estética
porque sempre o senso está muito sedento
porque sempre o senso está muito sedento

elefante que pula-pula

se seu raciocínio está mais para o exdrúxulo
se seu olho está xulo ou muito cínico
se achas que está mais pro símio que pro sapiens
se pensas que isto é loucura ou um delírio

hieninha mentecapta

venha conhecer cinema sem nenhum espetáculo
venha ver não tema não fique estérico
venha ver não paga nada nada é grátis
venha ver pra ver se entende o rap


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rodopio

cada qual está no seu canto
cada um deles está com seu pranto
procurando algo que berre e grite e mostre a proa
posto que justo que será o encanto

muitas portas que não se abrem
muitas cores não se descobrem
aprendemos algo que mande berre e frite: doa!
mas não vemos como se elas encobrem

tontos tantos cavam e cavam
tantos peixes abissais desovam
escondido tudo que fale e cante e brilhe a loa
sem saber bem aonde cantavam

tua vida está por um fio
não encaras o desafio
de tomar as rédeas de tua própria pessoa
para viveres sempre em rodopio

alguma pecinha está ali parada
levando-nos, então, da alma ao nada
fazer brilhar aquilo que em tua alma ecoa
fazer brilhar aquela coisa calada

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espantalho

de uma brincadeira de ensaio,
toco, canto, não me atrapalho,
só faço o que der na telha,
espero mais um soco na orelha.

jogando música
fazendo bola
desaprendendo
o que se faz na escola

(não me amola!)

de uma jogatina de truco,
fazendo é maço no baralho,
e agradeço à santa manilha,
e está formada a nossa quadrilha

cambiar é todo o segredo,
tampouco se encontra algum atalho,
bastas que mastigues o medo,
junto com concreto e cascalho.

montando sílaba
na tua cola
se preparando
para entrar de sola

(sim, senhora!)

não venha com esse papo aranha
onde destilas tua artimanha,
tu não me farás de paspalho,
porque corvo gosta é de espantalho.

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a flecha

assoviou nos ares seta certeiro no corpo
meu corpo

fora aquele teu querubim
com olhos teus seguindo-me assim
encantando-me no vento que eu sou
sei quando o amor entorpece o meu coração
justo por isso serei dono da minha razão

flecha comprida, curta, ou para tiro ao alvo
meu alvo

desta vez tu o serás, enfim
devolverei a flecha que cravaste em mim
e voltaremos ermos ao fogo, querida
água limpa, na tua mágoa, no teu ser
transbordando de flores este teu viver

você deve estar me achando apologético
patético

talvez até mesmo fugaz
mas quando vieres buscar o teu tesouro
verás que joguei por terra todo o ouro
e te tornarás minhas pelos séculos vindouros
ficarás a sonhar sempre querendo mais

se não te vejo
até a neve se torna desejo
estar contigo
querendo ser mais que um amigo
se não te digo
é a esmola que faz o mendigo
estando errante
entre palavras de alguma estante
e vou distante
ah, sim, sei que vou errante
vou elegante
alegrar algum lugar distante

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figura

guardo de ti apenas uma pequena figura
como afrescos de paredes em ruínas
não quero padecer apenas na amargura
que o meu coração explode e chacina

naqueles tempos a vida era tão breve
não havia hora de saborear a minha vida
desejava que o passar dos tempos nos leve
para dias quando a paixão foi proibida

naquelas horas célebres eu estava atento
aos outroras átomos das poesias de dores
havia alguma esperança de catavento
que prodizisse deliciosos algodões doces

rosa
é a tua cor
é o teu sabor
mas não se prova
pois és de açúcar

azul
é o teu dia
é a tua alegria
mas não se sente
pois és uma somente

branca
é a tua dança
é a tua esperança
de algo melhor
que não chegara a ser pior
de tão doce

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excomungado

criei bilhões de versos
sendo rondado por tua loucura
aquela tua promessa
aquela minha cura
para resolver as falhas da vida
nalguma rima fácil
nalguma harmonia fútil
mas por que porras não me ouves?

foste uma harmonia
arvorando milhões de notas
aquela sabedoria
aquela paixão remota
preencheria o vazio da vida
nalguma mentira ébria
nalgum sentimento sóbrio
mas por que porras não me vês?

a canção se expressa
menos com a voz que com o coração
aquela luminescência
aquele lindo clarão
para ninar o cansaço da vida
nalgum ato heróico
nalgum gesto estóico
mas por que porras me espancas?

na ponta do meu grafite
andei de risco em risco
naquele traço sutil
naquele terno rabisco
para pintar esperanças na vida
nalgum segredo visto
nalgum cinza arisco
mas por que porras não te represento?

como eu queria
mátria minha idolatrada
que por um instante fosses minha
apenas minha camarada

como eu queria
pátria minha idolatrada
que por um instante fosses minha
apenas minha namorada

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platônica (dois)

quantos espaços venci,
para vê-la no momento certo.
quantos relogios parei,
para vê-la num tempo cedo.
quantas estrelas luzi,
para vê-la num lamento cego.
eu, um morcego nas trevas,
sonhando com sua luz angelical,
um voo sobre a relva,
que deixava seu perfume natural.
quantos lamentos chorei,
para ver-me num espaço negro
quanto das trevas clamei,
para ver-me, momento de medo.
quantos contratempos errei,
para vê-la, estrela, de perto.

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platônica

e se estava sozinha,
como poderia saber?
e se estava bonita,
como poderia saber?
e se estava contente,
como poderia saber?
tentei ver, minha moscovita,
na linha rente, no horizonte dita,
amo você
amo você
amo você

e se estava distante,
como poderia dizer?
e se estava vermelha,
como poderia dizer?
e se estava zangada,
como poderia dizer?
zanguei ser, minha, um instante,
na diante vaga, no coração, centelha
amo você
amo você
amo você

e se estava honesta,
como podeira morrer?
e se estava sabendo,
como poderia morrer?
e se estava tranquila,
como poderia morrer?
tranquei rei e rainha, na sua festa,
qual esta filha, na vocação morrendo
amo você
amo você
amo você

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ilusão

parece uma mágica espécie
parte da tragédia humana
e não se encontra tão fácil
o que não é ignóbil nem cósmico

e sempre o devir, a mensagem
e como algo efêmero na carne
aonde algo finito encontra
o faminto do homem, sua busca

força, fogo queima, arde, pó
que tudo não arde, laço, nó
também quem não lê, também vê

de si não consome só o dó
entretando o caso não prevê
encontra a tática do nó

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fragmentos de um convite a João Bosco

nossa empresa só tem aluno,
no evento isso será maioria.
não é lucro nossa alegria.
mas o evento mesmo,
todo trabalho, todo o esmo,
todo cansaço, todo aprensizado,
do evento realizado.

(...)

João latino, João do mar primeiro
vem trazendo só o mar mediterrâneo
vem trazendo no pinho o fogo inteiro
vem com timbre divino ou subterrâneo
vem golaço com seu passe ligeiro
vem maneiro, sem pressa e instantâneo
vem rasteiro soando todo o sublime
cavaquinho! tô de frente pro crime!

(...)

o acontecimento será à noite
e durante hora e meia
na segunda ou terceira,
na última ou primeira
semana de março
do ano que veio
junto com todo o contento
e esperamos com anseio


esses são os fragmentos
que sobraram de um convite da eca jr.
para um evento chamado café acadêmico
convidando o João Bosco,
com alguma sorte, ele aceitou o convite

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