sexta-feira, 13 de julho de 2018

Com Texto Atual Dois

Meu filho morreu
sinto muita dor
ele morreu em meus braços
tinha sede e tinha dor
me disse que foi o blindado
toneladas de aço
um punhadinho de gente
a comunidade é boa
mas estamos em fogo cruzado
usava uniforme de escola
para quê, meu Deus?
cem tiros de fuzil?
com tiros de fuzil?
sobre a comunidade
e de helicóptero
não somos bandidos
bandido bom
bandido morto
nesta guerra de mentiras
dispararam de um lado
dispararam do outro
a gente bem no meio
deste comércio de armas
e de troca de propinas,
meu filho não é bandido

Com Texto Atual

Mãe, estou com dor,
nunca mais quero sentir esta dor,
mãe, estou com sede,
nunca mais quero sentir esta sede,
ele não viu, mãe,
meu uniforme de escola estou?

e se assinam os papéis
e se assassinam as pessoas
e o que podemos fazer?
os gastos com armas militares
são maiores que os gastos sociais

está na nossa massacrada constituição
e na nossa mais massacrada população
e quem se importa com justiça e paz?

quem tem privilégio não quer perder
quem não tem quer receber
quando poucos têm direito
direito vira privilégio

mataram a vereadora
crime sem solução
cinismo do poder público
um narco-bélico país
uma banana de nação

mãe, bandido eu sou?

Hipotermia

Hoje faz frio
o céu está nublado
há gente que fica sombrio
e gente que fica acordado
gelado até o osso
ou bem agasalhado
alguns com o sono da morte
que é um soninho agradável
e sem a quem recorrer
porque está sozinho desabrigado
tentando sobreviver
mas tem outros, porém
fingindo não saber
não dão valor ao que têm
por estar bem alimentado
comigo acho que foi sorte
não me encontrar neste estado

Sem Título Dois.

Já faz tempo
que não é assim
sentimento
que não tem fim
tá doendo
ansiedade sim
tou sofrendo
e dói demais em mim

outri dia o dia demorou
a acabar
neste minuto segundo
eu estou
a sufocar
ansiedade da maldade
estou perdido
vão me machucar

pensamento
tim tim por tim tim
assim assim
assim assim
o tempo passou
a noite chegou
chegou ao fim


Hómi Bobo

O homem e o meio ambiente
E meio ambiente destruído
O Homem fica doente
E o planeta poluído
e como a gente é inconsequente!
motor barulho
entulho lixo e ruído

Antimanicomial

Era uma vez,
nos anos 70,
um psiquiatra
preso na guerra
fez a experiência
acabar com os manicômios
naquela terra,
seu nome,
Franco Basaglia,
Junto com
Franca Basaglia,
Isso aconteceu
em Trieste na Itália

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Sem título.

Se você está preso
entre fé e razão,
use a imaginação.

Se você se cansou
de viver na solidão,
use a imaginação.

Se este sofrimento
aperta teu coração,
use a imaginação

Preso em pensamento,
tua segura prisão,
solte a imaginação.

Você precisa da chave
para abrir a gaiola
e, como uma ave, voar, ir embora.

use a imaginação,
solta a intuição,
não existe prisão,
voar, voar, querer ir embora
como uma ave.

domingo, 18 de março de 2018

eu agradeço muito aos versos do Chico:

"e todos os meninos vão desembestar!".
Senão, nunca mais esqueceria o sangue, o choque e a inação.

A avenida é movimentada, a uns quinze metros atrás da menina, a vó dela, sem poder acompanhá-la e desesperada. A menininha não viu o ônibus vindo de trás dela e ia correndo desembestada em direção à avenida. O ônibus pegaria a menininha em cheio. Haveria de pensar rápido, pulou na reta da menina com cara de bicho papão, não dava para alcançar a menina, não dava, não pulava 5 metros, não adiantava gritar, ninguém grita mais alto que um ônibus, o motorista freou, buzinou, não tinha visto a garotinha tão pequenina, ela parou no meio do percurso irritada com o bicho-papão, meio metro antes da catástrofe, deu tempo dele voltar para a calçada de maneira que o ônibus não passasse por cima dele por sua vez. É assim, um acidente, quando não ocorre, fica apenas na possibilidade. E a gente chega a pensar que nunca teria ocorrido. Foi muito bom saber antes que menininhas desembestam. E olhar pra avenida com olhos desembestados. Isso preparou o raciocínio rápido que foi necessário naquela hora. Um casal ao lado não viu absolutamente nada e continuou sua conversa informal.

deu pra entender?

sábado, 27 de janeiro de 2018

Jus Primae Noctis (Direito da Pernada).


Era uma vez, um homem chamado Bate-Moço, ele tinha uma esposa linda a Moça-Gato. Um amigo, o Super-Cara, se queixava de não conseguir namorada, sabe daquela lei chinesa, quem muito procura não pode escolher?

Então, Bate-Moço disse que poderia ajudá-lo. O Super-Cara ficou contente com o encontro às cegas arrumado pelo Bate-Moço. Era Moça-Maravilha, lindeza, inteligencia e educação. Super-Cara ficou muito feliz, encantado, mas...

Em pouco tempo, Bate-Moço estava com as duas. Fora apenas uma jogada esportiva, o Bate-Moço usou o Super-Cara para poder trazer para perto a Moça-Maravilha e pegá-la sem que sua esposa, a Moça-Gato, desconfiasse. Como pegou, não sem antes fazer um filho na Moça-Gato. Por garantia.

Super-Cara se desmanchou, quase enlouqueceu, não passava de um corta-luz, um cone-de-treino, um nada...

Não sabia como agir, se dizia à Moça-Gato da traição ou não, afinal, era amigo de todos antes do casamento e tals. Ou era apenas um objeto com o objetivo de virar furúnculo nas mãos do Bate-Moço. Dilema moral de início da idade adulta.

Bate-Moço ofereceu outro encontro às cegas, agora, com Mulé-Anêmona, uma dessas encalhadas do meio social do Bate-Moço que inverte todas as leis do Machismo. E assedia. Enfim, um nojo moral só. 

Chega de encontro às cegas, não é?

Super-Cara teve que fugir. Afinal, tudo o que Bate Moço queria era uma esposa bonita para Super-Cara de maneira que Bate-Moço pudesse dar pernada em Super-Cara sempre que quizesse. Sabe, aquele imposto da Idade Média? O Direito da Primeira Noite ou Direito da Pernada? Em que o Suserano come a esposa do vassalo na primeira noite? Pois é, seria isso e sempre, não apenas na primeira noite, e com exigência de segredo, afinal, toda a vida de Super-Cara estava cercada pelo modo de vida desse poderoso político ou empresário Bate-Moço, e se Super-Cara quisesse viver, seria assim.

Essa é uma fábula vultosa rodrigueana sem nenhum contato com a realidade brasileira da máfia no poder, aonde não existem super-heróis.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Leituras.


Estava tentando entender o verdadeiro sentido do livro na minha vida, no meu mundo. Senti que precisava entender este significado, pois estava deslocado, estava impreciso, estava me enganando. Hierarquizei meu consumo cultura. Se é que dá pra chamar assim. Algo formalista automático. Primeiro, leitura. Mesmo que minha atividade preferida seja composição e interpretação musical. Segunda, ouvir música. Terceira, internet, embora essa não possa faltar, muita coisa hoje é feita pela internet.. Quarta, filmes na tevê. A minha crença ruiu, pois percebi que meus caprichos não estava nos livros, porque raramente eu achava neles aquilo que eu esperava. Geralmente, eu achava algo melhor, às vezes, algo pior. Por isto era um engano. Então, olhei fundo dentro de mim e percebi que o livro deveria ter outra utilidade para mim. Bem, o livro é um caos de celulose e tinta seca quando não é aberto. Ele fechado não é nada. Mas, não era ele que precisava de uma nova significação na minha vida. Mas, eu frente ao livro. Jogo. Transe. Deslocamento.

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

ODE AO ÓDIO


Minha família adoeceu de ódio.
Um núcleo familiar ou bolha de ódio.
O antilulopetismo é só um detalhe.
Quanto mais ódio sente,
mais improdutiva fica,
quanto mais improdutiva fica,
mais pobre fica,
quanto mais pobre fica,
com mais ódio fica.
E o ciclo recomeça:
Quanto mais ódio sente,
mais improdutiva fica,
quanto mais improdutiva fica,
mais pobre fica,
quanto mais pobre fica,
com mais ódio fica.
E assim até alguma catástrofe...
Quanto mais ódio sente,
mais improdutiva fica,
quanto mais improdutiva fica,
mais pobre fica,
quanto mais pobre fica,
com mais ódio fica.
Ódio muito bem alimentado pela mídia.
Ódio estratégico para as pessoas não se unirem.
A favor de si, não contra a mídia.
Ódio para dividir e garantir desigualdades...
Se pelo menos esses poderosos virassem o alvo do ódio.
Quanto mais ódio sente,
mais improdutiva fica,
quanto mais improdutiva fica,
mais pobre fica,
quanto mais pobre fica,
com mais ódio fica.
O ódio do pobre contra o pobre.
O ódio do remediado contra o pobre.
O ódio do rico contra o pobre.
A solução que se vende:
Vai vendo:
Quanto mais ódio você tiver, mais prospera!
Mas, como?
Se o ódio não constrói nada?
Eu não aguento mais,
ser inoculado com tanto ódio,
para ficar rico como vocês!!! (?)
E odiar o pobre também!
O ódio ao pobre é o segredo do sucesso!
Não aguento mais!
Seja odioso você também!
E odeie o ódio.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Aparelhamento e Capilaridade do Entorno Social Imediato para Perseguição e Destruição.



Sobre quem teve a vida destruída pelas próprias escolhas é o principal argumento de quem destruiu vidas alheias que não podiam se defender pela diferença de poder entre as partes. Culpar as vítimas sempre será um grande negócio para os perseguidores. Ou, como justificar o matar gente usando apenas a comunicação social. Que virou moda no mundo. Os suicidados pela sociedade. Eu tenho responsabilidade minha sim. Mas, a responsabilidade toda é de todos. No mundo o que há são parcelas de responsabilidade. O resto é frase de efeito de gente corrupta. Não é como eles querem que seja. Que "o prejuízo é seu, mas o lucro é todo meu".

Desabafo.

Desabafo sobre matar sem colocar as mãos em alguém. Cansei de falar nisso neste blogue. Sobre como matar pessoas usando apenas comunicação social. Eu escolhi estudar para passar no vestibular, mas ninguém me perguntou se eu queria ser cobaia do marketing deles.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

MANIFESTO DO NATURALISMO INTEGRAL OU MANIFESTO DO RIO NEGRO



Amazônia constitui hoje, sobre o nosso planeta, o "último reservatório", refúgio da natureza integral.

Que tipo de arte, qual sistema de linguagem pode suscitar uma tal ambiência - excepcional sob todos os pontos de vista, exorbitante em relação ao senso comum? Um naturalismo do tipo essencialista e fundamental, que se opõe ao realismo e à própria continuidade da tradição realista, do espirito realista, além da sucessão de seus estilos e de suas formas. O espirito do realismo em toda a historia da arte não é o espirito da pura constatação, o testemunho da disponibilidade afetiva. O espirito do realismo é a metáfora; o realismo é, na verdade, a metáfora do poder: poder religioso, poder do dinheiro na época da Renascença, em seguida poder politico, realismo burguês, realismo socialista, poder da sociedade de consumo com a pop-art.

O naturalismo não é metafórico. Não traduz nenhuma vontade de poder, mas sim um outro estado de sensibilidade, uma maior abertura de consciência. A tendência à objetividade do "constatado" traduz uma disciplina da percepção, uma plena disponibilidade para a mensagem direta e espontânea dos dados imediatos da consciência. Como no jornalismo, mas sendo este transferido ao domínio da sensibilidade pura, "o naturalismo é a informação sensível sobre a natureza". Praticar esta disponibilidade ante o natural concedido é admitir a modéstia da percepção humana e suas próprias limitações, em relação a um todo que é um fim em si. Essa disciplina na conscientização de seus próprios limites é a qualidade primeira do bom repórter : é assim que ele pode transmitir aquilo que vê - "desnaturando" o menos possível os fatos.

O naturalismo assim concebido implica não somente maior disciplina da percepção, mas também maior na abertura humana. No final das contas a natureza é, e ela nos ultrapassa dentro da percepção de sua própria duração. Porém, no espaço-tempo da vida de um homem, a natureza é a medida de sua consciência e de sua sensibilidade.

O naturalismo integral é alérgico a todo tipo de poder ou de metáfora de poder. O único poder que ele reconhece é o, poder purificador e catártico da imaginação a serviço da sensibilidade, e jamais o poder abusivo da sociedade.

Este naturalismo é de ordem individual. A opção naturalista oposta à opção realista é fruto de uma escolha que engaja a totalidade da consciência individual. Essa opção não é somente critica, ela não se limite a exprimir o medo do homem frente ao perigo que corre a natureza pelo excesso de civilização industrial e a consciência planetária. Ela traduz o advento de um estado global da percepção, a passagem individual para a consciência planetária. Nos vivemos uma época de balanço dobrado. Ao final do século se junta o final do milênio, com todas as transferências de tabus e da paranóia coletiva que esta concorrência temporal implica - a começar pela transferência do medo do ano 1000 sobre o medo do ano 2000, o átomo no lugar da peste.

Vivemos, assim, uma época de balanço. Balanço do nosso passado aberto sobre nosso futuro. Nosso Primeiro Milênio deve anunciar o Segundo. Nossa civilização judaico-cristã deve preparar sua Segunda Renascença. A volta do idealismo em pleno século XX supermaterialista, a volta de interesse pela historia das religiões e a tradição do ocultismo, a procura cada vez maior por novas iconografias simbolistas: todos esses sintomas são conseqüência de um processo de desmaterialização do objeto, iniciado em 1966, e que é o fenômeno maior da historia da arte contemporânea no Ocidente.

Apôs séculos de "tirania do objeto" e seu clímax na apoteose da aventura do objeto como linguagem sintética da sociedade de consumo - a arte duvida de sua justificação material, ela se desmaterializa, se conceitua. Os andamentos conceituais da arte contemporânea só têm sentido se examinados através dessa ótica autocrítica. A arte é ela mesma colocada numa posição critica. Ela se questiona sobre sua imanência, sua necessidade, sua função.

O naturalismo integral é uma resposta. E justamente por sua virtude de integracionista, de generalização e extremismo da estrutura da percepção, ou seja, da planetarização da consciência, hoje ela se apresenta como uma opção aberta - um fio diretor dentro do caos da arte atual. Autocrítica, desmaterialização, tentação idealista, percursos subterrâneos simbolistas e ocultistas: essa aparente confusão se organizará talvez um dia, a partir da noção do naturalismo - expressão da consciência planetária.

Esta reestruturação perceptiva refere-se á uma real mudança e a desmaterialização do objeto de arte, sua interpretação idealista, a volta ao sentido oculto das coisas e sua simbologia constituem um conjunto de fenômenos que se inscrevem como um preâmbulo operacional à nossa Segunda Renascença - etapa necessária para uma mutação antropológica final.

Hoje, vivemos dois sentidos da natureza: aquele ancestral, do "concedido" planetário, e aquele moderno, do "adquirido" industrial e urbano. Pode-se optar por um ou outro, negar um em proveito do outro; o importante é que esses dois sentidos da natureza sejam vividos e assumidos na integridade de sua estrutura antológica, dentro da perspectiva de uma universalização da consciência perceptiva - o Eu abraçando o mundo, fazendo dele um uno, dentro de um acordo e uma harmonia da emoção assumida como a única realidade da linguagem humana.

O naturalismo como disciplina de pensamento e da consciência perceptiva é um programa ambicioso e exigente que ultrapassa de longe as balbuciantes perspectivas ecológicas de hoje. Trata-se de lutar muito mais contra a poluição subjetiva do que contra a poluição objetiva - a poluição dos sentidos e do cérebro contra aqueda do ar e da água.

Um contexto tão excepcional como o do Amazonas suscita a idéia de um retorno à natureza original. A natureza original deve ser exaltada como uma higiene da percepção e um oxigênio mental: um naturalismo integral, gigantesco catalisador e acelerador das nossas faculdades de sentir, pensar e agir.

Pierre Restany (1930-2003)
Alto Rio Negro, quinta-feira, 3 de agosto de 1978.
Na presença de Sepp Baendereck e Frans Krajcberg.
[Sepp Baendereck (1920-1988) e Frans Krajcberg (1921-2017)]

domingo, 12 de novembro de 2017

Destruição Planejada de Pessoas II.

Muito cínico esse trabalho jornalístico, não é de se estranhar que saiu na Veja. Faz toda uma manipulação muito bem-feita para liberar a mídia da responsabilidade que ela tem. Se a mídia não tivesse força, não iria cobrar uma nota para anunciarem nela. A mídia e a PF têm responsabilidades iguais sobre o caso deste suicídio. Não é por que o Cancellier não estava assistindo televisão que os desafetos produzidos por ela não chegariam nele, a maioria dos desafetos chegava sim nele, mesmo que não tenha chegado no garçom Zé, chegava em todo o redor dele, em todo o entorno social imediato do reitor, chegava no induzido ao suicídio por todos os cantos e isto o ser humano pode sentir em seu peito, mesmo que não possa dizer, pois é novo demais e abstrato demais, acabou de ser inventado, tudo o que não pode ser dito. Eu repito, inventaram uma forma de matar as pessoas usando apenas a comunicação social.

O texto da revista Veja: Crônica de um Suicídio

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Destruição Planejada de Pessoas. Ou Dossiê Oral do Matuza.

O Sérgio Cabral colocando em funcionamento a destruição de pessoas usando de força e de comunicação sociais. Cercando os vizinhos, a família e os amigos do Bretas. Um juiz tem proteção institucional contra isso, garantias e coisas assim, mas seus parentes, amigos e vizinhos não têm. Eu chamo esse fenômeno de aparelhamento e capilaridade do entorno social imediato para perseguição e destruição. Não vou explicar em detalhes agora, quem entendeu, entendeu que não, que pena. Se um juiz pode se proteger disso, não sei, mas eu e minha família não pudemos, quando a ECA-USP, a Rede Globo e o PMDB-SJC fizeram, esse cerco de marketing, na surdina, sem declarar guerra, ou confessar as ações. E podem fazer com qualquer um. Se você tem uma família disfuncional a culpa não é minha, mas a responsabilidade é sua sim, em explorar a doença e as fraquezas das pessoas. Por isso se protege o rótulo de que ser louco é ser tudo de ruim. Descobriram, fazendo eu e minha família de cobaias, como matar pessoas apenas usando a comunicação social. Assim, mataram a Dona Marisa Letícia, o Cancellier, e podem matar qualquer um, quando quiserem. Todos contra a censura. Você pode dizer que tudo isso é paranoia, e é sim. A paranoia é comum e ocorre quando temos de enfrentar os problemas sem todas as informações necessárias para explicar o fenômeno. Então é. Mas não estou inventando ou mentindo. Estou falando de como funciona o núcleo de poder social do universo, manos.

sábado, 26 de agosto de 2017

Eu tentando me vender.

APRESENTAÇÃO
Queria indicar que tenho o diagnóstico de esquizofrenia, mas não é o diagnóstico que mais me prejudica, é o estigma. A idade e essas dificuldades me impedem de acessar o mercado de trabalho. Aproveito o desemprego para estudar. Ler é meu melhor passatempo. Mas, eu tenho a música, minha chance de ser alguém, estão lá no site qryz.net (http://www.qryz.net). Tenho criatividade, inteligência e sensibilidade, e a capacidade de usar de qualquer forma de expressão para mandar uma mensagem. A propaganda, em geral, está tentando uma ruptura com sua linguagem para melhor atingir seus públicos, tentando se valer da poesia para vender alguma ideia, produto ou serviço,  e reconquistá-lo, pois, foi mesmo sobre isso o meu TCC, em 1998, pelo curso de Publicidade e Propaganda da ECA-USP. Estudei também por quatro anos Arquitetura na FAU-USP. As duas referências que estou oferecendo são meu último trabalho com renda e meu único trabalho formal assinado que estão na seção REFERÊNCIAS, abaixo, neste documento.

MOTIVAÇÃO
Quase 70 anos depois, a Declaração Universal dos Direitos Humanos é quase uma poesia. Para quem é demasiado humano ou não.

Entendo a ênfase na comunicação para direitos humanos como marketing social, visando a preservação da sociedade a longo prazo. Não é ela apenas benéfica, como também é recomendável. Temos, hoje, uma dificuldade que  também é uma oportunidade: O público está sensível às questões de preconceito, e pouco importa qual a orientação individual de cada um, ou, isso é, ao mesmo tempo, tudo o que mais importa. As discussões sobre preconceito, esse grande debate nacional, por mais exacerbado que esteja, é ainda a demonstração real e efetiva de que há uma oportunidade viva. A questão dos Direitos Humanos está espontaneamente em pauta nas discussões sobre preconceito, sobre inclusão social, sobre valores humanos. Trata-se de uma oportunidade histórica que está sendo nos dada pelas internet e pelas redes sociais.

É para todo mundo... Um fato curioso é a crença da maioria na manipulação como forma de comunicação, essa manipulação de todos contra todos, seria a solução para se conseguir o que se quer, o desejo de satisfazer a sua necessidade de compartilhar a própria existência.

Aprendemos, sem querer, com a grande mídia corporativa, que manipular seria a solução, embora seja, tal forma de comunicação, uma instrumentalização perigosa da vida do outro. Não podemos enganar a todos todo o tempo. Ninguém gosta de perceber que foi manipulado. Na maioria das vezes, esclarecer é o suficiente, a partir daí, cada um tem a liberdade de escolher seu próprio caminho. Ser honesto e claro é o melhor caminho. Promover o encontro com o outro, com aquele que foi excluído, é o caminho que podemos escolher.

O pensamento único, impor um único padrão de comportamento, por mais bem intencionado que seja, leva à falência da comunicação, esvazia as palavras e, como consequência, leva ao conflito generalizado. Eu prefiro confiar nas pessoas. O encontro com o outro nunca é confortável. Mas, se o ser humano necessita naturalmente deste encontro, é um novo mundo de verdade que está aí. E pode ser aqui e agora, com base na Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Vamos nos lembrar, a declaração foi feita em 1948 como esperança e otimismo para que os horrores da Segunda Guerra Mundial não se repetissem, horrores como as bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki, os campos de extermínio Nazistas, o Fascismo, o Stalinismo, as milhões de mortes, as cidades destruídas, a fome, a doença, os refugiados, enfim, quem não conhece a história está condenado a repeti-la.

A situação de nossas discussões públicas é talvez calamitosa, mas é justamente por este motivo que se trata de uma oportunidade, pois não é estritamente necessário que o ambiente virtual crie um ambiente real a sua imagem e semelhança. Neste ponto, entra a comunicação, criar uma demanda simbólica pelos Direitos Humanos. Assim, a discussão com o acento que vemos em preconceitos é bastante oportuna, porque traz nela a demanda por esclarecimento. Esclarecer é dar significado, é fazer sentido,  propondo uma comunicação transparente nessa direção, confiando na capacidade de cada um, sem manipulação ou paternalismo, e, nem mesmo, se gabando pela iniciativa.

Uma estratégia que faça desta oportunidade uma realidade se faz, hoje, necessária, a História urge por ela. O argumento pode se espalhar por si só.

Mexplicando.

Aceitar as pessoas como elas são, algumas são mais fáceis de serem aceitas do outras, quero aceitar todas, sem exceção. Sou. Valente como um panda. Meu achado é o seguinte, achismo é bom, melhor achar do que seguir procurando sem encontrar, e de modo algum meu achado é melhor que o seu. Mas, procuro abstrair-me de mim mesmo. Amizade não tem prazo de validade, mas eu aceito que para algumas pessoas ela se arrefece, e não fico mais chateado com um "não", mas confesso que exista singela expectativa. Sou alguém inquieto e curioso, e procurando me manter atento. Não tenho dente-de-ouro e adoro fazer música, que também se faz com palavras! Não gosto de gente axiomática! aprendi a apreciar minha própria estranheza. Sou louco lúcido:O)

sexta-feira, 19 de maio de 2017

PEC 257 uma bomba suicida.

Sugiro a imediata derrubada da PEC do teto da morte, a PEC 257.

Uma corretora brasileira ganhou 8%, em uma noite, de lucro na manobra dos irmãos JBS ontra os curruptos no poder.

Acontece que essa PEC foi projetada para isso, para dirigir os índices de maneira que tudo, PIB, comércio, indústria, imóveis, emprego, etc... ficasse bonito nas tabelas, mas muito feio na vida diária e cotidiana do cidadão.

Seria uma economia de faz-de-conta.

Se não fosse essa corretora, seria outra, acho até que ela se adiantou antes de uma concorrente mais endinheirada.

Isso foi no que deu amarrar toda a economia às bolsas de valores.

Agora vai virar rotina derrubar o país para se obter lucros imediatos. Estava tudo muito bonito, mas era uma mentira.

Sugiro a imediata derrubada da PEC do teto da morte, a PEC 257.

domingo, 14 de maio de 2017

Esforço de Mídia. O Custo Lula pra Globo.

O Jornal Nacional veiculou 18 horas e 15 minutos contra o Lula nesses 12 meses passados. Sendo que 30 segundos de anúncio no JN custa R$ 708.000,00. O desinvestimento da Globo na imagem do Lula foi de R$ 1.550.520.000,00. A desesperadora quantia de 1,5 bilhões de reais!!! Imagina esse dinheiro gasto pra construir e não para destruir algo...

meu site

domingo, 9 de abril de 2017

versão de Whiskey in the Jar (Canção Tradicional Irlandesa)

quando eu estava andando
na serra da Mantiqueira
eu vi o capitão Ferri
contando o seu dinheiro
primeiro arrumei a arma
depois municiei as balas
e disse:
espere e escolha,
ou o diabo levará sua alma

peguei todo dinheiro
cédulas, centavos
peguei todo dinheiro
p´ralimentar a Molly
disse que meu amor
pra sempre
o diabo deixará
o diabo a pegou
pra mim será mais fácil

catando uva na chuva vavá
esperando mia morte ô
esperando mia morte ô
c´o Uísquei na jarra...

aqui bebo e rico
carregano tambor de Molly
levo Molly comigo
e não conheço perigo
já faz seis ou sete
que matei capitão Ferri
foi só minh´arma
que fez alguns buraco

catando uva na chuva vavá
esperando mia morte ô
esperando mia morte ô
c´o Uísquei na jarra...

alguns curtem pescar
alguns curtem brigar
outros curtem ouvir
ouvir o som dos canhão
eu aqui drumino
juntinho da minha Molly
mas eu aqui presídio
preso na algema corrente...

catando uva na chuva vavá
esperando mia morte ô
esperando mia morte ô
c´o Uísquei na jarra...

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Vacina.

Para quem tem ódio de alguém.
O ódio não é do alguém.
O ódio é seu.
Viva com isso.

Trumpadilhos

Atenção para um novo trocadilho: presidente destrumpelhado.

Sr. Donald, o trumpalhão :p

Trump e suas trumpalhadas :p

Esta presidente is an estrumpício :p

Nós tumpica, mas num cai :p

"Quem não se comunica, se estrumpica" (Crakinha) :p

Essa Porraaqui....

"E o Jornal da Globo fica por aqui", estou por aqui do Jornal da Globo.

meu site
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website musikisses
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twitter/qryz

domingo, 15 de janeiro de 2017

PEC do Teto e da Morte.

Um cálculo que ouvi no rádio, feito por algum especialista amestrado, que a taxa de juros é se 13%, mas a taxa real seria de 7%, pois é subtraída a inflação do cálculo, isso mesmo sub TRAÍDA, pois a subtração só pode ser feita para aqueles que têm investimento nos títulos do tesouro, 30 mil famílias mais ou menos, e que morem no país.

A conta certa, para o povo que trabalha para pagar, com seus impostos, os lucros dos credores dos títulos públicos, deveria ser o contrário, 7% de inflação MAIS 13% de selic, que é igual a 20% de taxa real.

Essa PEC do teto de gastos apenas será atrativa para o povo brasileiro, caso seja negativa, isso mesmo, menor do que ZERO por cento.

Anonimo disse no Blogue do Altamiro Borges:
"Quem quiser saber para onde vai o seu rico dinheirinho, acesse o Portal da Auditoria Cidadã da Dívida Pública (e ESTUDE o assunto):

Obs.: O roubo é de somente R$ 1.000.000.000.000,00 (R$ 1 TRILHÃO) por ano, ou seja, a METADINHA do Orçamento Geral da União (= Brasil)."

Se é assim, quem com uma dívida e que poderia estabelecer os juros dela continuaria devedor? Uma instituição contra si mesma? Nem nos piores pesadelos conservadores e/ou liberais.

Ou seja, taxa de juros negativa de -100% transformaria o estado brasileiro de devedor para credor da noite para o dia.

sábado, 7 de janeiro de 2017

Identificação Completa.

De uma amiga do facebook que não conheço pessoalmente, e disse tudo reto e me identifiquei muito:

"A anomia - ausência de regras - em todas as áreas (tipo desregulação que veio da economia pra melhor fuder vc ) tem determinado algo que só posso chamar de "criatividade burra" - pode tudo, não é?
- tudo é "arte" não é? escrever qualquer merda - qualquer poesia, qualquer musiquinha, qualquer pintura, qualquer instalaçã, qualquer texto! 
- pensem na campanha boçal do temer retirada de cartaz , é um exemplo excelente - criatividade estúpida, desconectada, sem propósito, sem sentido, equivocada: as pessoas precisam reaprender a pensar, a se concentrar. 
A regras - ou leis - ainda são as mesmas. E estão valendo. Para a arte. Para tudo." (Marcia Denser)

sabe o que vale mais do que arte ou qualquer coisa hoje?

em analogia à lealdade dos corruptos entre eles, o que vale mais hoje é vínculos social,

e fiquemos atentos para a onda de frustração quando todos esses vínculos começarem a se partir, pois não se fundamentam em critérios verdadeiros, mas na exclusão sistemática e organizada do outro.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Beatles.

Alimento (Resenha).

Trabalhar por que faz sentido, não apenas de olho na conta bancária, e comer por que faz sentido, não apenas por que ingerimos.

O filósofo divide o mundo, proletariado e burguesia, visíveis e invisíveis, pobres e ricos, mas Josué de Castro divide o mundo “entre quem não come nem dorme por ter fome, e quem come e não dorme com medo dos que tem fome”. Não são as corporações, é um modo de pensar, a lógica do lucro. Um filósofo disse que o ato da alienação, aliena ambos, escravo e senhor. Concentra-se mais riqueza, mais medo, o medo que envenena todos, senhores e escravos, famintos e bem-alimentados.

Somos linguagem e carne. Nosso mundo é uma mistura. Mistura de ambiente, de fisiologia e de sociedade de consumo.

A carne é atravessável, o bebê se alimenta da mãe, tanto em nutrientes como aromas e sabores e pode ser difícil introduzir um novo alimento por que o neném tem muito medo dele.

A linguagem da comida, a cozinha e suas paredes, o calor do forno e do fogão, o modo de ser dos pais, seu desempenho social, sua competência e desenvoltura em grupo. As palavras, a musicalidade deles, o formato do quintal, a terra ou o mato. Em volta da comida. É ambiente de linguagem.

Uma mensagem de trinta segundos pode desencadear uma ruptura com a dinâmica familiar e a criança entra em comportamento suicida. Ninguém anuncia frutas e verduras. Se fosse bom, não precisava de anúncios.

São dois personagens John e João.

Self service fast food franchising on demand just in time.

John e a sociedade de consumo, é individualista ao extremo. Mora com a família, não se interessa por ninguém, come só e assistindo televisão. Cada um tem sua televisão. Pouco sabem um do outro. É conveniente ter acesso fácil a comida pronta e é sinal de poder aquisitivo. O convívio de John se dá entre seus colegas de trabalho e de faculdade. Depois se forma, muda de emprego e não vê mais nenhum, troca de grupo e de casa como quem troca de roupa, e para um poder aquisitivo maior. Troca seis por meia-dúzia. Ele se preocupa com a saúde, outro dia leu uma matéria na internet sobre dieta paleolítica, e como deseja ser atlético para atrair as mulheres, aderiu. John tem fixação por nutrientes, conhece alguns e evita outros sem saber bem o porquê. A mãe de John tira o lixo, ele detesta fazer coisas de mulher. Ele cozinha muito mal, mas e daí? é coisa de mulher. John não sabe dialogar, ele pratica monólogos em duplas. Come toda a proteína da família, é atleta. Não sabe que perceber o outro também atrai as mulheres. Pobre John, de vez em quando, se gaba de comer comida étnica, mas não sabe se há fidelidade ao paladar, provavelmente não. A família se desestruturou completamente, e a mesa sente o baque. A comida virou alimento. Não há mais conversa, não há mais troca de gentilezas. John virou elite disfuncional e controla aparência do próprio corpo e do corpo do outro obsessivamente. Tem tanto produto no mercado e tão pouco interesse que ele tem em saber o que está nos rótulos, mas nota as cores. John é branco. Só um tratamento de choque de um profissional com habilidade, atitude comprometida, motivação e desempenho numa ação pedagógica para disciplinar essas fomes ocultas. Fome de humanidade e de humildade.

João é preto. Mora na fronteira do urbano com o rural. Ele estudou na faculdade e aprendeu algo sobre si, mais do que sobre o mercado. Não se importa com status social, tem facilidade de se relacionar, faz uns bicos para sobreviver como assistente de cozinha. Corta vegetais e lava pratos. Aprendeu a cozinhar com a vó, e  nem liga para a comida como status social, ou prefere desligar. Conhece uns sambas cantados enquanto cozinham a fatada colorida. Acha engraçadas essas comidas cheias de ar e sal que são vendidas nos grandes supermercados. Aonde ele mora, ainda se compra na venda. Outro dia, ele é conectado, não duvide, leu que os ratos alimentados com fast food não comem mais outra coisa. Ratos mal-acostumados esses. Comida feita mais para agradar do que para alimentar. Inventaram a bajulação gustativa. O gosto de João é adulto já. A comida é conviver, estruturar, socializar, comunicar, usar, situar e conduzir. João adora o clima das fatadas em família.

A alimentação é um direito social. Alimentação é cultura, é sentar à mesa e trocar afetos, ideias e conhecimento, faz parte desse convívio pôr a mesa, arrumar a cozinha, uma toalha bonita para cobrir, frutas, fogão a gás na cidade, e fogão a lenha no campo. Toda uma experiência bela e instrutiva de aprender com os mais velhos e se divertir com as crianças.

A monocultura de exportação, seus transgênicos e venenos exportados todos para pecuária estrangeira, alimento que poderia alimentar dez, alimenta um. Sem falar que esse tipo de cultura global depreda a comida de um país. E acabar com a comida de um país é acabar com o país. Comida é aprender a cozinhar com a vó, alimento é saber que o suco de laranja tem vitamina C. Comida é um envolvimento de quem cozinha com quem come. Alimento é reduzir o sal ou o açúcar para notar melhor o sabor do ingrediente.

Uma palavra interessante para a relação com a comida: comensal é participar de alimentação coletiva. Comida é mais do que alimento, é mais do que ingerir nutrientes, é mais do que buscar submisso uma aceitação social. Comprar comida, comer junto, limpar a cozinha, lavar a louça são eventos, são prazeres. Saber de onde veio o alimento e para onde ele vai também são. Dar valor ao abrigo, à água, ao alimento e ao amor. Infinitas potencialidades reduzidas pela mídia a uma fisiologia manca ou a uma cobiça atroz. Desperdiçar tempo não é desperdiçar alimento.

Monstros globalizados deglutindo sem atenção calorias excessivas da vida social e do meio-ambiente. Nossa comida simplória comparada ao poder da TV: produtos brilhantes, flexíveis, corados como atletas ultraprocessados, com aparência muito melhor na tela do que no prato, ou mesmo na bandeja de cada um. Uma outra população que não se alimenta, vive de arroz com farinha, mingau de farinha, pirão, ou, até mesmo, de garapa, água com açúcar, quando tem água. Famintos em frente a essa TV. O mundo é tão violento. O que a estatística não diz é a diferença entre escassez e fome. Sentir fome já foi sinal de saúde.

O nutricionista tem o dever e o compromisso social de não se calar perante o sofrimento. Mesas inteligentes olhando que todo esse trabalho é prazeroso. Dá sentido a vida, ao corpo e à alma, muito além dos corações e mentes. Uma frase edificante, quando alguém disser que é difícil, lembre-se que edifício é um prédio cheio de andares, e vá andando em frente com seus ideais. Ser nutricionista é cuidar da alimentação saudável, adequada e sustentável, ser porta-voz das necessidades alimentares da população junto ao poder público com ética e técnica.

Dívida Infinita (Resenha).

O dinheiro é valor de troca, um pedaço de papel com valores. Um devedor busca liberdade prometida nunca entregue, e um credor reescreve seu cabedal de motivações simulando que, no fim da jornada, o devedor tenha sua recompensa. A causa moral aí se instala, ninguém quer ser maldito por não honrar dívidas. São imateriais as motivações da dívida infinita. A dívida alcança todos, assalariados e não assalariados, ocupados e desempregados, trabalho material e imaterial, países ricos e pobres, consolidados ou emergentes. Ninguém escapa. Os maiores credores devem a alguém. Qual é a diferença? O risco. Os integrantes dos governos e das empresas nunca perdem, nessa sociedade do risco só quem paga com a vida são os mais vulneráveis e a natureza.

E a troca de favores é uma dívida moral de quem deve pagar com fisiologismo. A produção caminha junto com a significação no capitalismo. Uma causa moral e imaterial torna com que toda dívida seja impagável com alcance no íntimo do cidadão. Na dívida, estão atomizados os cidadãos individuais em sua experiência de mídia. Produz uma maioria de escravos e riqueza simbólica para poucos. Insustentável do ponto de vista individual e ambiental.

A máquina, a técnica e a ciência, Normatizando o homem, todo controlado socialmente para dar respostas sociais programadas, como linguagem de computação, a todo tipo de pergunta da empresa e do governo. O dispositivo é o social como circuito impresso. Para sobreviver resta subverter essa lógica que enjaula o que há de mais belo no bicho homem. Seus símbolos, sua criatividade e sua solidariedade. 

A dívida pública é a espinha dorsal da crise. Um sistema de dívida que desvia recursos para o sistema financeiro sem contrapartida real. É dinheiro público sem função social que em vez de ser usado para injetar vida na economia real, suga todas as forças dela vivendo às suas custas, a metáfora é de um parasita. Cerca de 9% do PIB está indo para pagar juros da SELIC com Títulos da Dívida, os mais rentáveis do mundo. Quebra qualquer economia real. São instituições de qualquer lugar, basta constar da lista. Mas, quem compra? Nos dizem que é sigilo. Mas, se o dinheiro é público, o cidadão tem o direito de saber.

Auditar esse sistema de dívida financeira é urgente para sabermos quem sangra o Brasil. São juros sobre juros, e qualquer dívida fica impagável e infinita. Não é dinheiro que vai para a agricultura, a indústria, o comércio, os serviços, mas vai para os bancos, economia especulativa contra a economia produtiva. Uma distinção que ainda faz muito sentido para quem vive o cotidiano. O que se quer é controle e patrimônio. O plano é entregar o patrimônio público como forma de pagamento dessa dívida que é a espinha dorsal do sistema de desapropriação material e imaterial em que o Brasil está submetido, a espinha dorsal da crise.

Na Grécia, tudo que é papel virou dívida, todo tipo de derivativo. Uma dívida cheia de ilegalidades, ilegitimidades e até de fraudes. Serviu apenas para pressionar a população a aceitar as determinações das reformas neoliberais. São abutres! A finalidade da auditoria é mostrar a farra do sistema financeiro. O basta deve vir da cidadania, pois a política é financiada pelo esquema. O Armínio Fraga disse em 2009: “Olha, o Brasil foi desenhado para isto.”

Basicamente, o Tesouro Direto serve para lavar dinheiro. Falamos de um monstro internacional que controla o poder econômico e político com dentes e garras de aço. “Eu diria que é um mega esquema de corrupção institucionalizado.” (Maria Lucia Fattorelli). “Em vez de aportar recursos, a dívida pública é um esquema de transferência de recursos principalmente para o setor financeiro”.

O mais precioso é saber que a fragilidade não está do lado de cá, mas do lado de lá, basta que todos saibam do escândalo. A constituição proíbe juros sobre juros mesmo estando no contrato, o contrato é nulo neste caso. Acontece de ter muita gente envolvida, favorecida ou desinformada. Que muitos se matem por verem apenas a realidade imediata, sem ver o que está por vir.

O Superávit Primário não é nada mais que uma fraude comunicativa para dar um nome difícil ao assalto às riquezas de todos no país. Os ataques à previdência aumentam junto com os ganhos com as amortizações. Não é curioso, caro leitor? Toda a tributação é mobilizada para pagar essa dívida infinita. Significa que boa parte do dinheiro serve apenas para pagá-la. “O cerne das alterações que vêm sendo feitas ao longo dos anos é a modificação de um modelo de solidariedade” (MLF).

Os bancos nunca perdem, de quebrados e devedores, em uma canetada apenas, passaram a credores de tudo o que deviam e pelo qual quebraram. Viciados em lucro rápido e crescente são inimigos da civilização. Engenharia financeira embelezada pela criação de novos produtos mercadológicos com políticas monetária suicidas e tudo muito bem distribuído por computadores e comunicação visual e virtual. Paraísos fiscais móveis. Como diz aquele sucesso de gosto duvidoso: “Tá tudo dominado!”. Vemos uma grave crise em breve, pois esse sistema desregulamentado do capital não consegue, nem pode, subsistir.

A financeirização deforma em círculo de ferro com a cognição e exige espaço e morte. Ganhos improdutivos, e daí? Enganam pessoas, e daí? Ninguém vê como são, e daí? A economia sustentando imensa estrutura especulativa, e daí? O sistema financeiro falhou e feio. Nem sequer pode esconder a falha por mais tempo. Ele é opaco, concentrado, subsidiado, retira provisões, e fracamente regulado. Um trabalho inútil. Virou um imenso cabedal de ganhos improdutivos.

Queremos uma economia saudável, que ofereça alternativas, que seja regulamentada, que reconstrua as finanças, que retrabalhe o país e o planeta, no lugar de implodir o mundo humano. Um sistema financeiro saudável financia a educação superior, as aposentadorias, os seguros, a liquidez, as inovações financeiras, sociais, técnicas, científicas e artísticas. E precisamos urgente cancelar o pagamento excessivo antes desse enxugamento do Estado que é também enxugamento da população, ou seja, extermínio dos mais pobres e programado para breve.

Sra. Carmen Cecilia Bressane
Nós vivemos num país muito rico com grande circulação de riquezas. Se o Brasil só tivesse nióbio já seria uma potência. Foi um crime o que fizeram com nosso nióbio. O terceiro país em reservas de petróleo. A maior reserva de água potável do mundo. Um país de dimensões continentais, falando mesmo idioma. Mesmo assim, vemos o cenário de uma crise. Falta dinheiro para tudo.

Esta crise é seletiva, não afeta todos os setores econômicos. Atenção, os bancos operam com lucros astronômicos. Os bancos, no passado, eram agentes de dinamização da economia, hoje ao contrário, vive às custas da economia real, um parasita no hospedeiro, um assunto muito opaco. Por que enfatizar sempre os cortes na área social? Em educação, saneamento, saúde, cultura, por quê? Os impostos atingem a todos, mas atingem mais a classe média e os pobres. A crise é seletiva, não atinge as instituições financeiras. Os juros exorbitantes em que seja mais recompensador investir em finanças do que em áreas produtivas da economia. Não existe justificativa nem técnica, nem jurídica, nem política para o fato.

O banco central comprando dólar e, se necessário, pagando a diferença, e entrando em prejuízo com isso. E quem lucrou? A dívida pública brasileira é formada de quê? O dinheiro não vai para a saúde, para a educação, por exemplo. Essa dívida não é igual a nossa em que a gente vai em um banco e tal. E há um sólido acervo de pesquisas sobre a crise de 2008. A dívida é quase toda composta de mecanismos contábeis, ilegais ou ilegítimos, criam dívida sem contrapartida, sem benefício social. Essa dívida a gente fica pagando, cheia de ilegalidades, de ilegitimidades, com juros altíssimos. Dívida que consome metade do orçamento federal. São dois “Itaquerões” e meio por dia, dois estádios e meio de futebol padrão FIFA por dia! Assim, nós queremos uma Auditoria Cidadã da Dívida (Maria Lucia Fattorelli) para verificar que dívida é essa. Como a PEC 241 que barra gastos sociais, mas não barra esse sistema financeiro que vive às custas da economia. 

Não podemos pensar o Brasil no futuro sem pensar na questão da dívida pública. Por onde escorre metade de todo o dinheiro público.

Sr. João Guilherme Vargas Netto
Quem já foi aos Estados Unidos deve ter percebido o valor que dão ao tempo, mas não se trata de deslumbre. O estadunidense médio pensa que a única coisa que os EUA não controlam é o clima. E, como imitadora que nossa mídia é, está construindo as mesmas narrativas. Separando a temperatura da sensação térmica. O Objetivo do subjetivo. O indiscutível do discutível. Temperatura 28º C e Sensação Térmica 28º(?).

Assim, a crise tem dois enfoques. A temperatura dogmática e a temperatura democrática da crise. Nossa situação é a seguinte, temos uma sensação de crise que nubla a verdade epidérmica da crise. Tal é a confusão que se instala que nem sequer existiram 1964 e 1929. A crise verdadeira é a recessão brutal que o país atravessa. A verdadeira crise não pode ser vista por causa de um colchão social confeccionado pela população, uma rede de solidariedade. Daqui ao aeroporto de Cumbica, 400 postos de venda de água instalados em 15 dias!

Então, os dirigentes do Brasil, exceto os mau-intencionados, não havendo sensação térmica neles, eles simplesmente subestimam a crise. Não há desabastecimento, nem filas da comida, saques em supermercados, assaltos a caminhões de cargas. Essa percepção da crise é mais nossa, de dirigentes ligados a movimentos sociais do que da massa do povo brasileiro. É preciso ver a temperatura da crise econômica e a sensação epidérmica da crise política, moral, etc... Temos 12 pontos de taxa de desemprego, mas para populações abaixo de 25 anos é de 36 pontos. A taxa de desemprego de quem tem formação universitária é de 48 pontos. Ou seja, a CNTU começará a enfrentar a pressão por demissões.

Santo Agostinho disse sobre o tempo: “Eu sei o que é, você sabe o que é, mas eu não sei te dizer o que é”. Há coisa que são mais difíceis de serem explicadas do que mostradas. Um ministério previsível, que teve a intensão de agradar o Congresso, pois é um governo parlamentarista. O Ministério da Economia tem a equipe mais homogênea e poderosa neoliberal há tempos. A Petrobrás foi entregue ao rentismo. Não vai mais furar poços, vai engajar gente em ideologias de mercado, como a Kroton. Temos um Executivo fraco, dominado, e um Ministério da Economia forte, dominante. Sem reajuste para o bolsa-família e sem reajuste para o funcionalismo.

O mercado espera a gente ficar manso para dar o golpe de misericórdia. Ou seja, existe um governo parlamentarista e um governo econômico. Quem manda de fato? Um governo plebiscitário sem plebiscito. Um governo ilegítimo. Mas estão aprovando leis, como a reforma da previdência, algumas na calada da noite, e a pasta de dente nunca volta ao tubo.

Conseguimos o Dieese nas discussões. Esse esforço só foi possível porque nós não caímos na armadilha de valorizar o transitório emotivo e subestimar o estruturante destrutivo. A razão antes da emoção. Devemos resistir ao assédio, mesmo que seja só um pouco, pois não se pode modificar uma cultura do dia para a noite.

Sr. Odilon Guedes
O governo está nas mãos dos bancos, sempre esteve, inclusive o governo eleito anterior. Acontece hoje, a visão se clareando em relação o comportamento dos bancos com a economia real do país.

Eles colocam o Ministério da Previdência no Ministério da Economia, o interesse de milhões de brasileiros nas mãos de um banqueiro. Uma vez que os bancos são os donos do consignado e do cheque-especial dos aposentados. A imprensa, dia e noite, fala em crise da previdência com cálculos simplistas e duvidosos e todo mundo acredita. Estão desmontando o Brasil, uma recolonização. Acabando com a saúde, a educação, a previdência, a cultura e a industrialização. O grande problema não é a dívida pública de 70% da economia brasileira, mas que este dinheiro é usado para pagar juros, não vai para a realidade, comércio, serviços, indústria e agricultura, é para pagar uma taxa de juros real de 6%. A dívida dos EUA é de 110%, a do Japão é de 220%. Não é esse o problema.

O Pensamento Único da mídia. Sem oposição. em a cabeça de quem lê pouco e que pouco tem acesso a informação, dia e noite. As pessoas são ignorantes por que recebem só um tipo de informação. Sem contradição. Ninguém fala em juros para banqueiros. O ano passado o governa pagou 500 bilhões de juros, e neste ano são 600 bilhões, são 9% do PIB, mas ninguém fala nisto. Não é a economia real, mas de quem vive vampirizando a economia real. Somos o 9º PIB e o 78º em IDH. Uma brutal concentração social e de renda. 20 mil famílias detém 80% da dívida pública, 4 trilhões de dólares. Ou seja, as solução não é pagar a dívida cortando gastos, mas gastar mais, gastar em infraestrutura, gastar mesmo, investir em produtividade, e parar de investir em especulação. O FMI, isso mesmo, o FMI recomendou que a Europa gaste com o social. Gastar não é o problema, o problema é sustentar um sistema financeiro parasitário da economia sem contrapartida necessária nenhuma. Só assim é possível injetar vitalidade na economia.

O problema que você tem um lobby no setor financeiro, brutal, para ganhar dinheiro. Tem de baixar a taxa de juros à força, se for o caso. Convido todos a acompanhar os orçamentos públicos para participar da política, não ficar aguardando os próximos capítulos da novela da Lava Jato, que tem mocinhos e vilões com desenrolar e final previsíveis. E o CARF que cobra propina para perdoar dívidas bilionárias? Propomos outra reforma tributária. Diminuindo os tributos indiretos e tributando as grandes fortunas e rendas. Exemplo, o Imposto Territorial Rural do Brasil, do Brasil inteiro, o ano inteirinho é menor do que dois meses de IPTU da cidade de São Paulo. O agronegócio, nesse cenário, pode ser considerado isento.

O Brasil tem 60 mil homicídios por ano, é mais do que a guerra da Síria. Mais de 40 mil mortos em acidentes de trânsito. Tudo isso pode ser considerado como herança da desigualdade, temos de pegar os impostos e obrigar quem tem mais pague mais, isso é normal no mundo, não tem nada de revolucionário.

Perguntas
E os tributos brasileiros são excessivos? E quanto a Lei de responsabilidade fiscal, alguma proposta objetiva para resolver a questão da dívida pública? Como acompanhar o orçamento pela internet? Temos uma crise de mídia? E a precariedade da Saúde? E as empresas estrangeiras comprando equipamentos de Saúde?

Respostas:
Sr. João Guilherme Vargas Netto
Um lobby no congresso para desmanchar o Brasil. Precarização da mão de obra e das relações entre trabalho e capital, enquanto a janela de oportunidades não se fecha, vamos ver da forma exata, a mais viável, como o paradoxo do grego de transportar uma tonelada de trigo. Ser pragmático cuidando do permanente negativo e sem se iludir com o transitório ilusório, o rentismo está enrabando o produtivismo. A esquerda brasileira que perde e se perde. Derrubar o Meirelles seria fácil, mas ninguém se atreve? Se falar em uma tonelada, não tem solução, mas e 5 em 5 quilos, então?

Sr. Odilon Guedes
Para por dinheiro em algum lugar tem de tirar de outro, é preciso entender. Não pode o presidente do Banco de Boston (Henrique Meirelles) vir aqui e enfiar goela abaixo a reforma da previdência. O Titanic afundou com todo mundo, não apenas com a classe C e D. Explora-se a crença de que a produtividade aumenta na privatização, não com maior investimento em setores internos das empresas. Fatiar a Globo pode ser a solução como na Argentina, o ponto falho desta estratégia é que se pode formar um lobby de interesses privados e organizar o discurso de comunicação, como aconteceu na Argentina. No site Secretaria do Tesouro Nacional tem os orçamentos, mas é um labirinto. A sonegação é brutal. É preciso enfrentá-los.

Sra. Carmen Cecilia Bressane
A previdência não é deficitária, por exemplo, a Cofins é receita da previdência. Esse dinheiro está indo para onde? Para pagar dívidas com o sistema financeiro, para os bancos. A Dilma enfrentou essas forças, abaixou os juros, e ocasionou a queda dela. Então, essa foi a falta, nunca ter enfrentado os bancos. A auditoria é muito importante, a mesma auditoria feita na Grécia se constatou fraude monumental. A SELIC dá esses lucros exorbitantes aos bancos em sacrifício da economia real. Somos sufocados por uma base monetária de 5% que deveria ser de 40%. Mudam  governos, mas governos não enfrentam, não têm coragem de enfrentar o sistema financeiro mundial, ficam subservientes a esse sistema financeiro mundial para não cair, e não pedem ajuda à população.

Soberania (Resenha).

Xenofobia ou medo de tudo o que é estrangeiro, estranho e de fora. Manipulando as palavras, se manipula a realidade pelo sentido dela. De maneira involuntária por parte de alguns, de maneira calculada e intencional por parte de outros. Criam a confusão entre xenofobia e soberania. Até ser considerado um ato de inteligência passar do primeiro grupo ao segundo, passar de ingênuo a manipulador. País soberano é país que se autogoverna e se autotransforma.

A herança maldita brasileira da imaturidade política, facilidade de ser manipulado, das elites disfuncionais, impedimento de ser um país para todos seus habitantes, e da democracia restrita, mantida para poucos cidadãos, são exemplos.

5% dos economistas dizem, os jornais reproduzem e as televisões ampliam que o Brasil precisa com urgência de uma injeção de capital, mas ele não está doente, nem carece desta poupança, pois já a tem, para cada dólar que entra no país saem três dólares. Isso mesmo, exportamos capital, e estamos prestes a começar a privatizar dinheiro público. O swap cambial é vender dinheiro, ou seja, o dinheiro é comprado caro e vendido barato. Prejuízo. Burrice cambial. Swap significa permuta. 5% dos economistas dizem, os jornais reproduzem e as televisões ampliam que... Mentem. Não precisamos de investimento externo, ele precisa que o nosso dinheiro seja investido aqui. Portanto, cabe sempre a pergunta, quando dizem, reproduzem e ampliam: É verdade? Para quem? De quem? Por quê?

De todo nosso capital, 95% foi exportado e apenas 5% foi importado.

Os lucros abusivos com uma taxa de juros de 400% é corrupção, mas é legalizada. Transformou o país em um cassino internacional, descompromissado com a produtividade da agricultura, da indústria, do comércio e dos serviços.

Nossa mídia bilionária tem o mesmo comportamento em relação à narrativa da corrupção. O papel da imprensa em democracias é decisivo, mas, em todas as nações soberanas, as grandes corporações de mídia são regulamentadas. Não é censura, assim como o capital precisa de freios, a mídia também precisa. Todos estamos sujeitos a leis e regras, assim, não há motivo para dispensar ninguém de limites.

Os sociólogos da hegemonia veem o mundo segundo uma óptica monolítica de países, os de cima e os de baixo, os melhores e os piores, e explicam tudo segundo esta ordem hierárquica. Seguindo essa linha de raciocínio, nos países melhores a corrupção é tópica em casos isolados e nos países piores ela é sistêmica. A mesma óptica se repete em relação aos partidos políticos de nosso país, a corrupção é tópica no partidos melhores e sistêmica nos partidos piores. Basta dar um passinho adiante para notar a distinção.

Não existem conceitos universais quando partimos para a prática. Existe, essa pessoa, esse contexto, essa história, essa estrutura, todos com sua realidade concreta específica. Desta vez, podem nos auxilar muito os brasileiros que pensaram a nação: Hélio Jaguaribe, Florestan Fernandes, Venício Lima, Celso Amorim, Samuel Pinheiro Guimarães, Julia Falivene Alves, Jessé Souza, e Darcy Ribeiro.

Numa perspectiva histórica, soberania é um conceito político, uma forma política, sem subserviência, sem dominação, sem sujeição, sem bajulação, sem corrupção, com autonomia, com segurança, com integridade, com honestidade, com simetrias a serem construídas, conosco, com nós mesmos, uns aos outros. Todos.

Ao longo de 130 anos de história passamos por 30 golpes de estado e vários regimes de governo, dentre eles, monarquia, república, parlamentarismo e presidencialismo. O sistema é estável, os regimes não. Poderiam ser dinâmicos, mas é instável a sequência de regimes brasileiros desde sempre. Poderíamos dizer que nosso subdesenvolvimento é estável. Apesar de o país ter muito o que contribuir ao mundo em diversas áreas, por exemplo, engenharia civil e psicanálise, o Brasil tem características gritantes de subdesenvolvimento. Podemos esquecer um pouco o fato de que fazemos três dólares com cada dólar que cai em nossas mãos.

Então, é útil pensar o subdesenvolvimento, como é útil pensar a morte. Não o morto da funerária, dele nada podemos tirar de provas, nossa convicção é a dialética entre vida e morte, entre desenvolvimento e subdesenvolvimento. É necessário, conforme os caminhos que nossa democracia tem trilhado, voltar a pensar o subdesenvolvimento. De fato, estagnação ou baixo crescimento, marginalidade ou amplas parcelas da população sem direito aos frutos do seu trabalho, da riqueza que produz, elites disfuncionais descomprometidas e divorciadas dos interesses nacionais e populares, incapazes de equacionar um sistema de trocas sociais voltado para a construção de igualdades inerentes às democracias clássicas, incapazes da elaboração de um amplo projeto nacional democrático. O subdesenvolvimento existe, basta nos compararmos a países escandinavos que a realidade pula na nossa frente. Embora seja necessário reconhecermos nossas riquezas antes de as tirarem de nós.

Existem conquistas internas como decorrência de governos populares eleitos pelo voto, como o combate às desigualdades e a promoção da inclusão social, além da manutenção de direitos e do patrimônio do país. Tudo isto está em perigo no momento, se não trancarmos as portas depois de sermos assaltados.

Estamos em uma encruzilhada: a opção é ou entrar no jogo servindo os vencedores, um jogo já vencido de antemão, ou participar da construção do seu próprio tabuleiro com outras nações em condições e interesses semelhantes. Isto significa, ou aceitar docilmente determinações culturais externas, ou resistir construindo e cultivando seus próprios valores sem nenhum complexo de inferioridade.

Darcy Ribeiro: “Preste atenção, nós temos que inventar o Brasil que nós queremos”. Olhando para o espectador que estivesse assistindo O Povo Brasileiro. Um povo misturado, o povo é uma cultura nacional muito diversificada, de imigração europeia e asiática, com negros escravizados e índios. Esse pensador partiu para a ação, não lhe bastou escrever, embora, mesmo muito debilitado por um câncer, não tivesse deixado de colocar seu pensamento em palavras no papel. Foi político, foi exilado, foi esquecido, foi relembrado. Criou leis, museus, escolas, até participou da criação do Sambódromo que é escola também. Sem dúvidas de que nunca foi acometido pelo complexo de inferioridade, mesmo não desprezando aqueles a que se acometeram desse mal psicológico, quase social, ao ponto de lutar para resgatar esses brasileiros. “O que é que todos nós queremos? É fazer um país habitável, em que as pessoas existam para serem felizes, alegres, amorosas, afetuosas, todo mundo comendo todo dia, não é uma alegria? Não é um absurdo que num país tão grande, tão cheio de verde, tenha tanta gente com fome? O Brasil não tem nenhum bezerro abandonado, não tem nenhum cabrito abandonado, nenhum frango, todo frango tem um dono, mas têm milhões de crianças abandonadas. Quando uma sociedade perde o seu nervo ético, perde o seu amor, o seu apego por suas crianças, que é a sua reprodução, é uma enfermidade tremenda”. 

A academia brasileira pouco reconhece o pensador Darcy Ribeiro, talvez por causa de sua ação política, pois a ação revela quem somos e não o que queremos  parecer, ninguém é perfeito, assim, em busca do fazer, ele arranhou sua própria imagem, um crime segundo os valores vigentes e amplificados da autopropaganda. Talvez por causa do seu sucesso: “Fracassei na maioria das propostas que defendi, mas os fracassos são as minhas vitórias. Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu”. Práxis é a dialética entre pensamento e ação, e um não exclui a outra, pelo contrário, são dependentes entre si.

Matar e esmagar em vingança de armas no fulgor da luta vitoriosa de terror retumbante aos heróis esplêndidos e bravios em perfeita coragem até o túmulo de nossos inimigos, somos gigantes turbando a terra em desafio contra quem combate nossa idolatrada pátria, morte aos párias!

Dom Pedro I gostava deste estilo poderoso e privilegiado de escrever, pois gostava de escrever hinos. Tais palavras estavam proibidas no edital do concurso de composição de um novo hino nacional, mas são palavras usadas em hinos de todo o mundo, infelizmente. Nós podemos notar que todas elas estão também em qualquer noticiário bélico, e até no noticiário esportivo. Bem como em jornal popular, que, se espremer, pode derramar.

A ideia foi fazer um hino doce, singelo e humano, cantando a fragilidade da vida, que é a força dela, no lugar de um hino que canta o delírio de onipotência que motiva a dominação do outro, e sua aniquilação. E com participação popular, de baixo para cima. A letra do poeta Reynaldo Jardim venceu por voto popular e foi musicada pelo maestro Jorge Antunes que concebeu a ideia participativa e coletiva.

Mas, o maestro desistiu da empreitada, após receber uma ameaça anônima. No entanto, nem tudo foi derrota, a lei que engessaria os símbolos nacionais, como a bandeira insígnia, os selos, o brasão e o hino nacional, foi modificada por unanimidade na constituição de 1988, o que facilitou o acréscimo de uma estrela à bandeira nacional quando da criação do estado do Tocantins.

Quando a economia vai bem, a cultura responde sim, houve uma geração que viveu isto na pele, Cinema Novo, Poesia Concreta, Bossa Nova, uma MPB ativa e inteligente, um teatro inovador e uma universidade comprometida com a  a realidade. Veio o golpe de 1964 para cortar as cabeças destes movimentos a fim de decepar nosso progresso, porque a cultura e a economia podem completar-se. E não há cultura soberana sem economia soberana, e vice-versa.

A cultura sempre responde bem à economia. Ao contrário do que é amplificado, na história do Brasil, ocorrem mais perseguições em função das vitórias e das realizações, do que por causa de vícios e defeitos. Assim sobrevêm os golpes, por armas ou por canetadas, para cortar nossa trajetória quando ela tem de profundo o sucesso. Assim assassinaram Juscelino Kubitschek, Getúlio Vargas e João Goulart.

Nossa Amazônia é a maior reserva biológica do planeta, faz 64% do território nacional ser composto de verde, florestas, é o pulmão do mundo. O Pré-Sal é uma grande reserva de petróleo de boa qualidade, uma grande riqueza do país, uma vez que se estabeleceu que vá para a educação boa parte dos recursos levantados. O Aquífero Guarani está em processo de pesquisa de preço. A Odebrecht está sendo destruída por ser um concorrente internacional muito forte na área de engenharia civil. O IPT pode não chegar a 2022, pois o sistema de ciência, tecnologia e inovação está em situação muito delicada. Fecharam as portas do Ministério da Ciência e Tecnologia. Tudo isto é muito grave e deixa a soberania do país em situação precária. O capital precisa de freios, toda a nação que não colocou freios no capital afundou em crises estruturais, em miséria e em morte de sua população. O Estado Nacional é decisivo para o futuro de um povo.

Diz a constituição no capítulo que rege a ciência e a tecnologia: “O mercado interno integra o patrimônio nacional e será incentivado de modo a viabilizar o desenvolvimento cultural e socioeconômico, o bem-estar da população e a autonomia tecnológica do País, nos termos de lei federal.” (Art. 219, Cap. IV, da Ciência, Tecnologia e Inovação). Deste modo, se conclui que o mercado interno é a maior riqueza de um país. E pertence a todos, ao povo e às elites, não sendo ele propriedade dos meios de comunicação isoladamente, ou sendo ele apenas patrimônio empresarial. Direito de todos decidir pelo futuro do mercado e participar de seu presente, sem exceção.

Ressalta-se que o mercado interno de uma nação é propriedade de todos os  cidadãos e deve ser protegido. Conservadores e liberais não têm mais o domínio da realidade e o controle da soberania que tiveram outrora. A luta política se tornou uma causa moral, de acordo com nossa realidade cultural de hoje. O Estado se tecnocratizou e autocratizou, ou seja, a caneta ficou mais poderosa do que a espada. Veja, como exemplo, a importância da justiça, hoje, na vida pública. Quando os incluídos nela estão sob proteção e quem não faz parte do mundo jurídico corre sério risco de morrer.

Não a democracia do capitalismo selvagem, mas a democracia do capitalismo inclusivo, para se estabelecer, precisa associar os interesses entre capital e trabalho. O mercado não é senão a formação social, política e econômica do mercado interno. É o ambiente aonde todas relações entre trabalho e capital se dão. Proteger esse meio é proteger a soberania e proteger o país, sua população e sua cultura. O capitalismo que queremos não implica na morte de nosso concorrente, mas em vencê-lo pelo trabalho, pela ciência, pela inovação e pelo conhecimento, nunca neutralizá-lo pela violência, derrotá-lo pela força em uma disputa que deveria ser leal. O mercado interno é o lugar do bom combate. Talento é para ser reconhecido, é para ser cuidado, não é para ser destruído.

Não se trata de declarar guerra, estamos precisando de agir com a razão, é necessária maturidade política para encarar ao mundo. Trata-se sim da dialética entre soberania e modernização. Sem que um engula o outro. Ou só descanse quando exterminá-lo.

Precisamos fazer tudo isto com muita poesia. O pacto social da constituição de 1988 foi quebrado, e não fomos nós que o quebramos. A mídia é tanto mais forte quanto mais fragilizadas forem nossas instituições. Inteligente seria que nossas empresas de comunicação deixassem seus interesses disfuncionais de lado e lutassem com o povo por um país melhor. Se no lugar de ter os mesmo interesses de Holywood, tivessem sim a mesma atitude.

Nós estamos convidando todos para compor climas, estéticas, magnetismos, carismas, comunicações que anulem o efeito sinistro da hipnose das empresas de comunicação. Então, polinizando o país com uma arte e uma ciência compromissadas com a fragilidade da vida, que não é a morte, mas apenas a possibilidade de conhecer o devir, o limite. O mundo da cultura vai nos unir, do norte ao sul, do leste ao oeste. Mobilização social na prática e na teoria, na ação e no pensamento. Convidamos aqueles que estão com uma espada de Dâmocles sobre suas cabeças, que sambem de lado e deixem, em seus antigos lugares, o nó Górdio que os amarava sob ela.

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