segunda-feira, 14 de setembro de 2020

Cultura na Feliz Cidade

Cultura na cidade
Tão bonita cidade
Acordar os corações 
Também abrir as mentes

Abrir os corações 
Para entrar mais gentes
Acordar as mentes
Para mais intuições

Cultura na cidade
Tão bonita cidade
Fazer inteligente
E trazer felicidade 

Vida para as pessoas
Tantas coisas boas
Que nem te digo agora
Chegou a nossa hora
De fazer cultura
Para entrar mais gente
Muito beleza pura
Para gente como a gente

Cultura na cidade
Tão bonita cidade
Acordar os corações 
Também abrir as mentes

facebook/cristian.korny
website musikisses
myspace/cristiankorny
soundclouds
twitter/qryz

Palíndromos

reviva, vá viver!

pote super repus, é top!

roma amuada, dá uma, amor!

para dádiva ser três, a vida dá rap!

sopra o oco, o ar, pôs...

o dado com o co-dado.

...rever a sós, a ama a sós, a rever...

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terça-feira, 4 de agosto de 2020

Política "Ui".

Redondilhas Menores

ABBA ABAB ABCB

jogar pedra, sei,
e também dou flores,
coleciono dores
deste enfado, o rei.

serei contra lei?
serei por amores?
se mais for, serei
anti-ditadores!

mau humor, talkei?
meus dissabores,
desgoverno, inferno
que me causa horrores!

Sobre Mim.

Eu já nem sei quem sou
Eu já não sei quem fui
De tudo o que passou
De resto tudo flui
De longe alguma dor
De perto senti amor
Pois pra onde eu vou
Não é certo que flui
Às vezes, o prédio rui
Às vezes, o rio polui
Certo tempo constrói 
Ao vento passou
Todo um tempo de flor
Um sentimento sem cor
Pois pra onde vou
Não é certo que flui

Coração Partido.

Redondilhas Menores

ABBA ABAB ABCB

Coração partido,
Mas já sei quem fui,
Intuição-ela-intui
Sei qu'andei perdido.

Coração partido,
Dô que dói-me e mui,
Mas'estou sabido,
Da paixão que flui.

Coração partido,
Um rio, um sangue, aflui,
Abriu'as asas sim,
Quem assim conclui.

terça-feira, 21 de julho de 2020

Ponto de Encontro.

só queria pontuar que tenho vários pontos, meus primeiros foram na sola do pé direito, pisada no caco de vidro, e chorei muito, tive também pontos na mão direita, que abrigam uma placa de platina, como doeu, fratura exposta, passou por cirurgia, se não fosse assim, minha mão não se moveria bem,  tenho todo um apanhado de suturas, pontos, queixo, sobrancelhas, boca, olhos, estes me livraram do estrabismo, ou seja, esses pontos me livraram de ser vesgo, mas, às vezes, ainda me pego vesgo, então, essa é minha história das dores, e espero não tê-la num ponto-final tão cedo.

domingo, 21 de junho de 2020

Ode ao Coiso.

quero ver você, Bozo:
que vá se feder, oco,
de verde, amarelo,
branco e azul,
vá tomar no beep!

você e o número um:
que vá catar caquinhos
na América do Norte.
Central e do Sul,
vá tomar no beep!

você e o número dois:
que vá para a pêquêpê,
sem dó nem por quê,
dessa vez de modo full,
vá tomar no beep!

você e o número três:
tirando daqui e dali,
de cima e de baixo,
do fundo do baú,
vá tomar no beep!

um, dois, três, quatro,
viu, Bozoasno,
vá tomar no beep!

um, doi, três, quatro,
Coiso, vá pra casa do paspalho!

Estava Escrito.

autor: V. V. Ivanov
trad.: A. F. Bernardini

"1. Considera-se "mitopoética", para empregar a terminologia de muitos trabalhos históricos-culturais recentes, a abordagem do meio ambiente que precedeu a gênese da ciência contemporânea no mundo antigo. Um dos traços mais característicos do modelo mitopoético do mundo é sua descrição pelo emprego de duas séries de símbolos POLARMENTE OPOSTAS, i.e. com o emprego de uma classificação simbólica binária."

O Caps Lock é meu.

em Semiótica Russa
13. O Papel das Oposições Binárias na Abordagem Mitopoética do Tempo (pag. 221)
org.: Boris Schnaiderman
ed.: Editora Perspectiva
1979

Trocadilho do Ipirando-a

As Fofas Armadas
no Palhaço do Planalto,
do Presidoente da ex-púdica,
seus sinistros,
seus sectários,
seus decréptos de lei
e suas mentiras provisórias

terça-feira, 16 de junho de 2020

Redondilhas Maiores - Sextilha - Cordel para São João.

ABCBDB
São João é muito legal,
tem fogueira, tem quentão,
tem balão e tem quadrilha.
São festas de diversão.
São festas de alegria.
Trem bom aqui é São João!

terça-feira, 2 de junho de 2020

Redondilhas Maiores - Exílio.

ABCB
Longe da terra distante,
distante de terra e mar,
distante em pensamentos,
não encontro um meu lugar.

ABAB
Em tanta terra assim perdida,
com tantos dias sem me ver,
ilusão já tão sofrida
de não saber quem é você.

ABBA
E não sabendo, eu prossigo,
sem ter vez, sem ter porquê,
vamos, ande, meu amigo,
ande pra sobreviver.

segunda-feira, 1 de junho de 2020

Ele não, ele não, ele não não não.

Vou falar de quem nos oprime,
ninguém está buscando pódio,
mas este presidente ignaro
comanda escritório do crime
e sustenta gabinete do ódio,
um tal de Jair Messias Bolsonaro.

quarta-feira, 20 de maio de 2020

Santo Remédio.

Se eu fosse Deus
Fazia o Zoom funcionar
Para acontecer a reunião 
E a gente poetar

É o que dá
Para o momento 
Se eu fosse Deus
Não teria sofrimento
Nem teria azar

Se eu fosse Deus
Não teria depressão 
E seria divertimento
Nossa humilde reunião 

Seu eu fosse Deus
Mas não sou não

Se eu fosse Deus
Saberia rimar
Fazia rima rica
Pro cordel enricar

Se eu fosse Deus
Saberia tudo rimar
Céu com inferno
Continente com mar

Se eu fosse Deus
Saberia o lugar
De dar a injeção 
Pro homi vacinar

Sem essa de milagre
Iluminava cientistas
Para todos ensinar
Vacina a baixo custo 
Pro homi vacinar

Enfim, se fosse Deus
Não seria mais eu
Preferia eu ser Morfeu
E só amanhã acordar

segunda-feira, 20 de abril de 2020

Crise de Identidade

Olha só, "Cristina Korny" nem existe no Brasil, esse sobrenome pode não ser importante, mas é raro. Quem se formou fui eu, Cristian Korny. E nunca pleiteei mudança sexo também, rsrs. Já pedi para corrigirem, mas acho que só vai rolar isso depois da quarentena.

segunda-feira, 13 de abril de 2020

Escrita Dinâmica

Quando me olho, vejo terror
Talvez seja apenas dor
Quando me olho, vejo ternura
Talvez eu seja uma criatura
Quando me olho, vejo não sei

Eu me alegro quando vivo
Das coisas todas que me esquivo
Eu me alegro, quando vejo
Das tantas coisas que desejo
Eu me alegro

Quando você me olha
Me deixa sem escolha
Quando você me olha
Minha lágrima me molha
Quando você me olha
Até eu furo essa bolha
Quando você me olha

Neném

Neném

Eu me lembro quase neném.
A cabeça do meu pai
Era quase do meu tamanho
Ele colocou a bocarra como uma ventosa
Em minha barriga e soprou
Fez aquele som que eu nem sei
Se tem nome em nossa língua
Mas, é impossível colocar no papel

Ploooft

Eu desatei a chorar

Buuuaááá

E ele ainda bateu uma foto

Click

Na verdade, que bateu a foto

Hmmmm

Foi minha mãe
Eu chorando

Snif

E Ele rindo

Kkkkkk

Tenho essa foto
Eu acho

Vírus

Se acontecer o findar da Terra
É certo estar perdida a guerra
É a erva rachando o muro
É meu amigo o meu lado escuro

Face a face com o destino
Se revelou como desatino
Choro por medo da morte
Mas só chora quem é forte

Quem casa tinha para morar
Pediu proteção para o lar
E quem não tinha tal lugar
Temeu por sua vida acabar

E as pessoas descobriram o céu 
E as pessoas descobriram o mar
E as pessoas descobriram pessoas
E as pessoas descobriram a si

E as pessoas revelaram coisas boas
E as pessoas prepararam o altar
E rasgaram de cima abaixo o véu
E coisas fabulosas todas eu vi lá

E o agressor se revelou
E o dominador se esfacelou
E o assediador se desmontou
E o sol a tudo iluminou
Os segredos ficaram nus
Sob tão luminosa luz

A raça humana se viu frágil no espelho
A raça humana sentiu a poluição do ar
Não há, não há, como fugir daqui
O planeta não é descartável
Sem salvação nem pra mim nem pra ti
Isso, de falar, é desagradável
Nisso, de falar, eu sofri

Uma só pessoa vale a pena
Não é enquanto se salva um
Que outro destino se condena
Uma só pessoa vale a pena
Escolher quem vive ou morre
Não pode ser escolha humana
Um risco do qual a gente corre
Um risco para o mano e a mana
Queremos nenhum morto nenhum
Com o morto com ou sem grana

Amanhã contaremos partidas
Choraremos por elas
Amanhã sentiremos as faltas
Que fazem em nossas vidas
Abriremos portas e janelas
Nas grades que eram tão altas

E deixaremos entrar os quebrados
Aqueles que nós quebramos
Para que a solidariedade
Floresça como erva
E ouçamos uns aos outros
Como folhas ao vento.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

De Mansinho - Despacito

sei que meu olhar está buscando o seu
tenho de bailar consigo hoje
se seu olhar está chamando o meu
mostra-me o caminho, é certo, eu vou

'cê, 'cê é um ímã e sou eu de ferro
vou me preparando e eletrizando o campo
só de imaginar já me dispara o pulso

eu, eu até achei ser esse um grande erro
mas todos meus sentidos vêm pedindo tanto
o que eu faço, me entrego ou me seguro?

de mansinho

quero respirar seu fogo de mansinho
deixa-me que diga coisa em seu ouvido
para que se lembre se não está comigo

de mansinho

quero abrigar seus beijos de mansinho
firmar as paredes deste nosso moinho
e desenhar seu corpo todo um pergaminho

quero ondular cabelos quero ser seu vinho
quero que seja a mea boca
a de seus lugares de carinho

deixa-me sobrevoar suas zonas de conflitos
que me impliquem em seus gritos
e destruir todos estes mitos

de mansinho

se lhe peço beijo é música
pele a pele linha melódica
e na alma a alma harmônica
bomba bombeando assim rítmica
sabe que seu coração comigo faz é boom boom
sabe que a beleza faz comigo faz é boom boom
e bebe da mea boca
para saber como se sabe
quero quero quero ver
quanto amor em si lhe cabe
eu não tenho pressa
eu quero é dar viagem
começar mui lento
e terminar selvagem

passinho a passinho
suave suavezinho
vamos nos pegando
pouquinho a pouquinho
quando 'cê me beija
com esta entrega
e com que malícia
de tal delicadeza

passinho a passinho
suave suavezinho
vamos nos pegando
pouquinho a pouquinho
e quem sabe dessas
um quebra-cabeças
vamos completá-lo
aqui temos as peças

de mansinho

vê, tenho toda mea pele a esperar você
aqui me atravessa o que eu sou
vi como lhe levo até não poder voltar
pede o que quiser que eu lhe dou

'cê, 'cê é um ímã e sou eu de ferro
vou me preparando e eletrizando o campo
só de imaginar já me dispara o pulso

eu, eu até achei ser esse um grande erro
mas todos meus sentidos vêm pedindo tanto
o que eu faço, me entrego ou me seguro?

de mansinho

quero respirar seu fogo de mansinho
deixa-me que diga coisa em seu ouvido
para que se lembre se não está comigo

de mansinho

quero abrigar seus beijos de mansinho
firmar as paredes deste nosso moinho
e desenhar seu corpo todo um pergaminho

quero ondular cabelos quero ser seu vinho
quero que seja a mea boca
a de seus lugares de carinho

deixa-me sobrevoar suas zonas de conflitos
que me impliquem em seus gritos
e destruir todos estes mitos

de mansinho

vamos na segunda a uma praia em Porto Rico
para que as ondas gritem: "Hey, bendito!"
para que seu selo se sele comigo

passinho a passinho
suave suavezinho
vamos nos pegando
pouquinho a pouquinho
quero que seja a mea boca
a de seus lugares de carinho

passinho a passinho
suave suavezinho
vamos nos pegando
pouquinho a pouquinho
que me implique em seus gritos
e destruir todos estes mitos

(Versão Final de Cristian Korny para a canção,
Despacito. Autores: Luis Fonsi/Erika Ender/Daddy Yankee)

terça-feira, 24 de dezembro de 2019

Paz Armada.

só quero viver a vida,
não quero causar a morte,
você que pratica a guerra
é um fraco, não um forte,
o sangue manchou a terra
e a guerra matou a sorte,
aqui meu coração berra,
ali sangra em seu corte,

só quero viver a vida,
não quero causar a morte.
só quero viver a vida,
não quero causar a morte.

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

cruzarei

não creio em fronteiras,
as cruzarei,
mas eu creio em você,
repeitarei

lhe aceito como é
me aceite como eu sou
sua tese, sua arma
sua casa bem guardada,
sua cerca, sua grade,
sua porta bem trancada

me aceite como eu sou,
eu lhe aceito como é,
minha pele, minha fala,
minha face desarmada,
minha vida, minha estrada
minha alma mais amada
(minha obra inacabada)

e se somos isso tudo
tudo isso é o que somos
nossos medos, nossos males
somos todos vulneráveis
somos um e somos tudo
tão perdidos nesse mundo

coração refugiado

seu coração
é um refugiado
seu amor humilde
não consegue ser amado
a procura de um lugar
um lugar na Terra
pra chamar de lar

seu coração
é um refugiado
seu amor humilde
não consegue ser amado
a procura de um lugar
um lugar sem guerra
pra se acalmar

seu coração
é um refugiado
seu amor humilde
não consegue ser amado
a procura de um lugar
um lugar sem espera
pra gente se amar

seu coração
é um refugiado
seu amor humilde
não consegue ser amado
a procura de um lugar
um lugar sem fera
pra o afeto dar

atravessarei

atravessamos céus e terras
sem ter onde parar
atravessamos mares e guerras
pra em algum lugar chegar
pra chegar em algum lugar
um lugar pra chamar de lar
pra chegar em algum lugar
um lugar pra chamar de lar

a fronteira que atravesso
por sua vez, também me atravessa
com urgência e sem pressa
a fronteira me atravessa
todos os medos se acabarão
quando vivermos no seu coração
todos os males se findarão
quqando habitarmos o seu coração

sem favor ou explicação
pr'esse arame farpado
que cerca o seu coração

oia

o lugar do qual eu fujo
tem muita informação
mas falta nele o amor
e também aceitação
sob o signo do terror
repetindo a situação

ooiáá
ooiáá
pois pode me criticar

o lugar com que eu sonho
tem bombas de compaixão
rifles de flores vermelhas
muros de doce ilusão
harmonia nas orelhas
e qualquer bela canção

ooiáá
ooiáá
nem tente despedaçar

o lugar o qual espero
roupa abrigo água e pão
pouco exigo desta vida
passei por cada situação
sem amor e sem comida
qualquer coisa já está bom

ooiáá
ooiáá
nem tente me consertar

quinta-feira, 11 de julho de 2019

Três Versões.

1. (política)
minha pobreza tal é,
que lhe dou de boa-fé,
algo que você já tem,
pois com toda gente vem

asas da imaginação
pra na vida dar sentido,
e nunca mais ser excluído,
sair dessa condição,

não apenas um documento,
certidão de cidadão,
mas ter reconhecimento,
abrigo, água e pão.

2. (afetiva)
minha pobreza tal é,
que, para esse menino,
tão amado e pequenino,
tão miúdo e severino,

eu dou de boa-fé,
asas da imaginação
para o amor e a invenção,
a imagem do Pai, criação.

2. (afirmativa)
minha pobreza tal é,
que lhe dou de boa-fé,
algo que você já tem,
pois que com a gente vem

são asas da imaginação,
para a vida ter sentido,
para ser mais destemido,
imagem do pai, criação.

terça-feira, 18 de junho de 2019

minha pobreza tal é

direitos não posso dar,
matéria de conquistar,
dinheiro não devo ter,
viver, matar ou morrer.

ninguém vai na caridade,
a gente quer dignidade
pra manter nosso lar,
pra si mesmo se cuidar.

ói, meu presente melhor
está dentro, num segredo,
que ouvido quase sem medo
abre os portais do amor.

agarra aqui tuas asas,
as asas da imaginação
cicatrizando o coração,
ferido por rasas guarras.

coração de suor vendido,
sem tua força de marido,
ali de recém-nascido,
serás, enfim, redimido.

pow, acorda coração alado!
e voa-voa, vai ao nosso lado,
muitão cheião de emoção,
até o talo transbordado.

voz a voz encantado,
no fim, sempre tem um sim,
simplesmente assim,
porque nunca teve fim.

quinta-feira, 13 de junho de 2019

Louco.

estou louco
grito ainda que rouco
tanto no muito
quanto no pouco
mais um erro
ou outro berro
sou ofensa
seu xingamento
na diferença
de pensamento
sou o que é pior
mas ninguém é pior
que ninguém
me xingam que não
tenho razão
quando razão ninguém tem

domingo, 9 de junho de 2019

Terraplanagem.

Não vejo problema em se sentir mais confortável com a Terra ser plana. O problema é impor que apenas o universo euclidiano é real, e que os universos cósmico e atômico não existem, só por que não se pode vê-los.

Bipolar.


O louco chamou o bêbado de bêbado, o bêbado disse que ele estará sóbrio amanhã, mas o louco não estará lúcido amanhã. Esse é o problema, o louco não tem escolha de não ser louco, mas o bêbado bebe por que quer. O bêbado pode escolher não beber, mas bebe. Ambos precisam de atenção psicossocial. Em que país estamos?

quinta-feira, 23 de maio de 2019

Versão para o português (v.3) da canção de "Hallelujah" (Leonard Cohen).

Em segredo soa aos ouvidos meus
Davi arpejar e agradar a Deus
E você crê em música, não crê?
E vai assim, o quarto, o quinto
O menor caindo, o maior subindo
Um frustrado rei compondo aleluia!

|aleluia, aleluia
|aleluia, aleluia

Sua fé tão forte que será provado
Então a viu nua ali do telhado
Tão bela à luz da lua lhe traiu
Humilhando-o, amarrou-o numa cadeira
Deixando-o ali sem eira nem beira
E dos seus lábios arrancou o aleluia!

(|)

Um tempo em que pude saber
O que trazia dentro do seu ser
Agora não mo mostra mais, não é?
E eu me lembro quando entrei em si
E o Santo Espírito também aqui
E à cada sopro um brilho de aleluia!

(|)

Eu disse "eu já estive aqui"
Pela Terra e dando voltas nela
Eu fora muito só sem sabê-la
Mas vi sua bandeira em manto de glória
E seu amor marchar vitória
Cruel e solitário aleluia!

(|)

Você diz "usou meu nome em vão"
Pois nem eu sei seu nome, irmão
Mas, se o fiz, o que é isso pra você?
Há uma faísca acesa em cada vogal
E não me importa se levou a mal
O roto e o esfarrapado aleluia!

(|)

Talvez haja um deus maior
Mas tudo o que eu aprendi do amor
Foi como atirar em quem me feriu
Não é um choro em frente à cruz
Nem como se entregar à luz
É frio e despedaçado aleluia!

(|)

Fiz o que pude, e não foi o bastante
Eu nem sentia naquele instante
Foi verdade, eu não quis lhe enganar
E mesmo assim caído no chão
E bem em frente ao deus da canção
Nada pra cantar, só aleluia!

G Em
G Em
C Am G
G C D
Em C D
D   Em

|C Em C G-D-G

sábado, 6 de abril de 2019

Severinho Rapsódia Cabralina

o meu nome é Severino
não tenho outro de pia
como há muitos severinos
filhos de mãe Maria
fiquei sendo o da Maria
do finado Zacarias
fiquei sendo o da Maria
do finado Zacarias

severa
se vira
severinha
severina

aprendi a ladainha
na descida vila a vila
como as muitas vilas grandes
e também as pequeninas
um rosário de continha
co’a estrada como linha
um rosário de continha
co’a estrada como linha

para o homem que retira
morte ativa e até festiva
vida não correspondida
só a vida severina
defendida mais vívida
morte e vida severina
defendida mais vívida
morte e vida severina

nunca esperei tal coisa
digo a vossas senhorias
retirei-me sem cobiça
para defender mi’a vida
fujir da velhice antes
de inteirar trinta
mínima
diferença
mata
agreste ou caatinga
alcancei esta medida
peço pouco mais ainda
alcancei esta medida
peço pouco mais ainda

Severino retirante
deixe agora que lhe diga
não sei da pergunta antes
que resposta lhe daria?
as palavras não alcançam
o que é presença viva
as palavras não alcançam
o que é presença viva

sábado, 9 de março de 2019

robot-menino

pulando amarelinha
indo do inferno ao céu
uma criança sozinha
girando no carrocel

pular cama-de-gato
ciranda-cirandinha
caça grilo no mato
vibra com joaninha

uma criança sozinha
faz trança de cardaço
solta pipa no céu
voa até o espaço

joga bola de gude
roda pião no chão
no tempo que pode
sonhar uma canção

mas hoje o que há?
presa num computador
não vê o tempo passar
nem aprende o que é amor

não dá chance ao acaso
deixa a vida controlada
com processador ligado
e a criança desligada

dia do amigo (soneto)

para celebrar o dia do amigo
um camarada com quem não brigo
algumas coisas devo tolerar
algumas vezes devo castigar

algumas coisas relevo, não ligo
sei que é bom separar o joio do trigo
eu o defendo, ele me defende
assim a nossa amizade é decente

uma amizade viva na tristeza
uma amizade na felicidade
na pobreza e na riqueza

junto pra tudo na amizade
estou contigo, meu amigo
pois é meu amigo de verdade

sábado, 15 de dezembro de 2018

Brainstorm.

de noia em noia até a metanoia

debaixo do tempo tem um tempo
depois do destino outro destino
e eu aqui no seu mecanismo
de quebra-corações em massa
as flores perderam o aroma
as raízes estão sem chão
as vidas sem raízes nem asas
ó abre alas para o pólen passar
o medo e seu perfume
espalhados pelas coisas por aí
hoje não quero rimar
hoje não sei o que fazer
todo dia é importante
mais uma armadilha sua
senhor grande irmão
com seu olho gordo
me vigiando
e concretando
e bloqueando
e impedindo
e indo indo indo
nesse chão morto de asfalto
mais uma armadilha sua
o furo intolerável que busco
dia a dia manhã a noite
a cada dia de novo e de novo
não sei como terminar
esse poema em linha reta
o fingido fingidor
fingindo que finge fingir
calculando os ganhos
engolindo as perdas
hoje não tem métrica
o ritmo sumiu
e eu nem consigo
brainstorm vomitado no papel
papel social
papel de ator
e documentos de papel
não posso carregar
o que não me aceita

tempo contente que vai sempre em frente

tempo sutil com seus detalhes mil

tempo maluco do meu relógio cuco

tempo ruim que vai chegar ao fim

Fazendo Rituais.

vou lhe falar das coisas tais
e eu aqui fazendo rituais

por fora das questões legais
e eu aqui fazendo rituais

mergulhamos todos anormais
e eu aqui fazendo rituais

embaralhados somos virtuais
e eu aqui fazendo rituais

sem resposta a homens e animais
e eu aqui fazendo rituais

perdemos todos os nosso ideais
e eu aqui fazendo rituais

sem noção das civilizações atuais
e eu aqui fazendo rituais

perdemos mesmo correndo atrás
e eu aqui fazendo rituais

não sabemos o que ficou pra trás
e eu aqui fazendo rituais

de tudo o que a saudade nos traz
e eu aqui fazendo rituais

enfim, estes versos pra nuca mais
de uma poesia de tempo jamais
e eu aqui fazendo rituais

Coisas com Palavras.

você vem e vai
chega e some
entra e sai
serve e come
assim sem nome
você vem e vê
tira e dá
vence e tem
aqui e lá
ali e acolá
faz mal
às vezes bem
você é alguém
que não posso ser
que não posso ver
que não ouso ver
que não ouso ser
tudo o que sumiu
também o que surgiu
sujeira e limpeza
feiura e beleza
alegria e tristeza
tudo isso
com certeza
são coisas com palavras
sobre a mesa.

Céu Azul.

céu azul
noite fria
hemisfério sul
hoje em dia
folha seca
vida verde
linha reta
muita sede
esse vazio
poeta vadio
conserta portas
muda as rotas
folhas mortas
tempo de estio
buscando estilo
achou motivo
pra terminar
isso aquilo
comida a quilo
frete abismo
só sabido
que foi lido
sabido o
esquecido
simples assim
acabou

Segredo, sucesso, sossego e sagrado.

Eu tenho medo
é desse sossego
tudo revirado
parado e atrasado
e nem é segredo
tampouco revelado
um tipo de limbo
nem lá nem cá
somos mortos-vivos
é preciso falar
mas poucos são ouvidos
massa hipnotizada
todos calados
eu tenho medo é desse sossego
alguns mal-falados
de fatos mal-vistos
atos palavreados

eu tenho medo
é deste sossego
ideias não mudam nada
é preciso fazer algo
o fazer, este horizonte
se descolou da vida
e estamos esperando
espera desesperada
e não acontece nada
ou acontece o de sempre

eu tenho medo
é deste sossego
que nem é mais segredo
que nem é mais sagrado
nada além de degredo
um outro arremedo
me apontando o dedo
para esse apego
que nem é mais segredo
que nem á mais sagrado
que nem é mais sossego
o desejo mais secreto

Black Fraude.

Black Fraude
tudo pela metade
do dobro do preço
quem tem amigo
quem não tem
não merece apreço

Black Fraude
tudo pela metade
do dobro do preço
eu estou contigo
vou sem bem
nada disso careço

Black Fraude
tudo pela metade
do dobro do preço
no tempo antigo
e hoje também
de tudo me despeço

Black Fraude
tudo pela metade
do dobro do preço
eu lhe convido
a ficar zen
tal qual mereço
ficar sem bens
então me despeço

Black Fraude
tudo pela metade
do dobro do preço
com migo sem tigo
o joio e o trigo
faça o que digo
senão dá tropeço
e como dá

faltando um pedaço também.

está faltando um pedaço
na sala cheia de móveis
eu sei, não sou de aço
minhas partes não são imóveis
meu sonho no espaço
vazio no seio dos mundos
eu sei, este meu destroço
por um coração vagabundo
está faltando um destino
ou coração com espinhos
ou paredes duras e lisas
preso nelas, paralizado
nesse buraco vazio
para encher de coisas
uma fresta que espio
um ramo de rosas
rosas pequenas
amarrada à antenas
atada à suas penas
tudo isso é apenas
a liberdade que foi embora
já passou da hora
é difícil lá fora
não sei como sobreviver
na situação de rua
grande medo
ou segredo
num degredo
na vida nua

eotavali.

estava ali perdido
sem saber o que fazer
sofrendo sem alívio
onde há mais prazer
sei que sem horizonte
o ontem e o hoje defronte
víveres aqui ali
me repetindo
me exaltando
me esvaindo
explodiu todo
o implodido
tudo fodido
nada espero

terça-feira, 2 de outubro de 2018

#EleNão

Contra a Privatização das Universidades Públicas.

Eu sei que neste blogue eu faço muitas críticas à ECA-USP. Mas minha intenção sempre foi a de que a vida de quem ingressasse nela, mesmo sendo marginalizado pela sociedade, como eu fui, tivesse uma vida um pouco menos difícil.

Vou resumir o que ocorreu:

Quando entrei na ECA-USP criaram lá uma regra: Ninguém é de Ninguém. Mas, esta regra não valia para todos, valia apenas a quem era de fora da sociedade. Eu, por exemplo. E, se ninguém é de ninguém, imagine qualquer direito autoral, ou seja, dependia de quem criasse algo, ele teria ou não teria sua titularidade respeitada. Não tive, a regra valia só pra mim.

Aquele estômago da indústria cultural me digeriu por completo, de maneira que nada sobrou pra contar a história. Era um laboratório de marketing, do qual ninguém me perguntou se eu queria fazer parte do experimento.

Mas, não era instituído formalmente pelas regras da universidade, era feito por fora, com a participação de alguns professores, mas não todos.

É isso. Ainda retomo esse blogue, contando a vida depois que o Lugar Nenhum se foi.

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Com Texto Atual Dois

Meu filho morreu
sinto muita dor
ele morreu em meus braços
tinha sede e tinha dor
me disse que foi o blindado
toneladas de aço
um punhadinho de gente
a comunidade é boa
mas estamos em fogo cruzado
usava uniforme de escola
para quê, meu Deus?
cem tiros de fuzil?
com tiros de fuzil?
sobre a comunidade
e de helicóptero
não somos bandidos
bandido bom
bandido morto
nesta guerra de mentiras
dispararam de um lado
dispararam do outro
a gente bem no meio
deste comércio de armas
e de troca de propinas,
meu filho não é bandido

Com Texto Atual

Mãe, estou com dor,
nunca mais quero sentir esta dor,
mãe, estou com sede,
nunca mais quero sentir esta sede,
ele não viu, mãe,
meu uniforme de escola estou?

e se assinam os papéis
e se assassinam as pessoas
e o que podemos fazer?
os gastos com armas militares
são maiores que os gastos sociais

está na nossa massacrada constituição
e na nossa mais massacrada população
e quem se importa com justiça e paz?

quem tem privilégio não quer perder
quem não tem quer receber
quando poucos têm direito
direito vira privilégio

mataram a vereadora
crime sem solução
cinismo do poder público
um narco-bélico país
uma banana de nação

mãe, bandido eu sou?

Hipotermia

Hoje faz frio
o céu está nublado
há gente que fica sombrio
e gente que fica acordado
gelado até o osso
ou bem agasalhado
alguns com o sono da morte
que é um soninho agradável
e sem a quem recorrer
porque está sozinho desabrigado
tentando sobreviver
mas tem outros, porém
fingindo não saber
não dão valor ao que têm
por estar bem alimentado
comigo acho que foi sorte
não me encontrar neste estado

Sem Título Dois.

Já faz tempo
que não é assim
sentimento
que não tem fim
tá doendo
ansiedade sim
tou sofrendo
e dói demais em mim

outri dia o dia demorou
a acabar
neste minuto segundo
eu estou
a sufocar
ansiedade da maldade
estou perdido
vão me machucar

pensamento
tim tim por tim tim
assim assim
assim assim
o tempo passou
a noite chegou
chegou ao fim


Hómi Bobo

O homem e o meio ambiente
E meio ambiente destruído
O Homem fica doente
E o planeta poluído
e como a gente é inconsequente!
motor barulho
entulho lixo e ruído

Antimanicomial

Era uma vez,
nos anos 70,
um psiquiatra
preso na guerra
fez a experiência
acabar com os manicômios
naquela terra,
seu nome,
Franco Basaglia,
Junto com
Franca Basaglia,
Isso aconteceu
em Trieste na Itália

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Sem título.

Se você está preso
entre fé e razão,
use a imaginação.

Se você se cansou
de viver na solidão,
use a imaginação.

Se este sofrimento
aperta teu coração,
use a imaginação

Preso em pensamento,
tua segura prisão,
solte a imaginação.

Você precisa da chave
para abrir a gaiola
e, como uma ave, voar, ir embora.

use a imaginação,
solta a intuição,
não existe prisão,
voar, voar, querer ir embora
como uma ave.

domingo, 18 de março de 2018

eu agradeço muito aos versos do Chico:

"e todos os meninos vão desembestar!".
Senão, nunca mais esqueceria o sangue, o choque e a inação.

A avenida é movimentada, a uns quinze metros atrás da menina, a vó dela, sem poder acompanhá-la e desesperada. A menininha não viu o ônibus vindo de trás dela e ia correndo desembestada em direção à avenida. O ônibus pegaria a menininha em cheio. Haveria de pensar rápido, pulou na reta da menina com cara de bicho papão, não dava para alcançar a menina, não dava, não pulava 5 metros, não adiantava gritar, ninguém grita mais alto que um ônibus, o motorista freou, buzinou, não tinha visto a garotinha tão pequenina, ela parou no meio do percurso irritada com o bicho-papão, meio metro antes da catástrofe, deu tempo dele voltar para a calçada de maneira que o ônibus não passasse por cima dele por sua vez. É assim, um acidente, quando não ocorre, fica apenas na possibilidade. E a gente chega a pensar que nunca teria ocorrido. Foi muito bom saber antes que menininhas desembestam. E olhar pra avenida com olhos desembestados. Isso preparou o raciocínio rápido que foi necessário naquela hora. Um casal ao lado não viu absolutamente nada e continuou sua conversa informal.

deu pra entender?

sábado, 27 de janeiro de 2018

Jus Primae Noctis (Direito da Pernada).


Era uma vez, um homem chamado Bate-Moço, ele tinha uma esposa linda a Moça-Gato. Um amigo, o Super-Cara, se queixava de não conseguir namorada, sabe daquela lei chinesa, quem muito procura não pode escolher?

Então, Bate-Moço disse que poderia ajudá-lo. O Super-Cara ficou contente com o encontro às cegas arrumado pelo Bate-Moço. Era Moça-Maravilha, lindeza, inteligencia e educação. Super-Cara ficou muito feliz, encantado, mas...

Em pouco tempo, Bate-Moço estava com as duas. Fora apenas uma jogada esportiva, o Bate-Moço usou o Super-Cara para poder trazer para perto a Moça-Maravilha e pegá-la sem que sua esposa, a Moça-Gato, desconfiasse. Como pegou, não sem antes fazer um filho na Moça-Gato. Por garantia.

Super-Cara se desmanchou, quase enlouqueceu, não passava de um corta-luz, um cone-de-treino, um nada...

Não sabia como agir, se dizia à Moça-Gato da traição ou não, afinal, era amigo de todos antes do casamento e tals. Ou era apenas um objeto com o objetivo de virar furúnculo nas mãos do Bate-Moço. Dilema moral de início da idade adulta.

Bate-Moço ofereceu outro encontro às cegas, agora, com Mulé-Anêmona, uma dessas encalhadas do meio social do Bate-Moço que inverte todas as leis do Machismo. E assedia. Enfim, um nojo moral só. 

Chega de encontro às cegas, não é?

Super-Cara teve que fugir. Afinal, tudo o que Bate Moço queria era uma esposa bonita para Super-Cara de maneira que Bate-Moço pudesse dar pernada em Super-Cara sempre que quizesse. Sabe, aquele imposto da Idade Média? O Direito da Primeira Noite ou Direito da Pernada? Em que o Suserano come a esposa do vassalo na primeira noite? Pois é, seria isso e sempre, não apenas na primeira noite, e com exigência de segredo, afinal, toda a vida de Super-Cara estava cercada pelo modo de vida desse poderoso político ou empresário Bate-Moço, e se Super-Cara quisesse viver, seria assim.

Essa é uma fábula vultosa rodrigueana sem nenhum contato com a realidade brasileira da máfia no poder, aonde não existem super-heróis.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Leituras.


Estava tentando entender o verdadeiro sentido do livro na minha vida, no meu mundo. Senti que precisava entender este significado, pois estava deslocado, estava impreciso, estava me enganando. Hierarquizei meu consumo cultura. Se é que dá pra chamar assim. Algo formalista automático. Primeiro, leitura. Mesmo que minha atividade preferida seja composição e interpretação musical. Segunda, ouvir música. Terceira, internet, embora essa não possa faltar, muita coisa hoje é feita pela internet.. Quarta, filmes na tevê. A minha crença ruiu, pois percebi que meus caprichos não estava nos livros, porque raramente eu achava neles aquilo que eu esperava. Geralmente, eu achava algo melhor, às vezes, algo pior. Por isto era um engano. Então, olhei fundo dentro de mim e percebi que o livro deveria ter outra utilidade para mim. Bem, o livro é um caos de celulose e tinta seca quando não é aberto. Ele fechado não é nada. Mas, não era ele que precisava de uma nova significação na minha vida. Mas, eu frente ao livro. Jogo. Transe. Deslocamento.

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