quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Passarinha Liberdade

(cuidado em liberdade - continua)

cuidado, a liberdade!
rompeu o asfalto uma flor furta-cor
uma florzinha frágil desabrochou sem dor

em meio ao fluxo imparável
à margem, na calçada,
que a multidão parou
ao largo da estrada
que o povo comentou:

pessoa vermelha: a liberdade parece uma rosa!
pessoa azul: deixa de prosa, parece um cravo!
pessoa verde: assim eu travo, parece a margarida!
pessoa amarela: minha vida, é meu bem-me-quer!
todas as cores: com ela não farão mal-me-quer!
a liberdade é sim, assim:
cada um cuida como sabe e vê como é

•••

a cem metros dali
no centésimo andar
há uma centena de dias
no apartamento de um homem cinzento
um passarinho não pode voar
preso em gaiola dourada
não pode a flor liberdade visitar
já desistiu de cantar
e, se seu canto é sua vida,
cravo, rosa, mal-me-quer, margarida,
o passarinho desistiu de viver...

todas as cores:
passarinho, passarinho,
não faça isso,
você não está sozinho
a liberdade é uma flor frágil que se há de cuidar
e não existe uma liberdade que não se pode ver
se cuidar exige viver, ouvir, escutar, conviver e amar

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